URAP realizou Assembleia-Geral

AG 4A Assembleia-Geral da URAP realizou-se no dia 27 de Fevereiro no auditório da Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa. A mesa foi constituída pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral, Levy Batista, o secretário da Mesa da Assembleia-Geral, Maria José Ribeiro, e o membro do Conselho Directivo, Susana Luís.


Encarnação Raminho, do Conselho Directivo, apresentou o Relatório de Actividades do ano de 2015, pormenorizando todas as iniciativas levadas a cabo pela URAP. Álvaro Contreiras, do Conselho Fiscal, destacou no Relatório de Contas as dificuldades financeiras da URAP, informando que a organização teve despesas superiores às receitas em 1037,70 euros e que o valor das quotas recebido foi de 12391,60 euros, que ficou aquém das expectativas traçadas na última Assembleia.


AG 5O presidente do Conselho Fiscal sublinhou a necessidade de se tomarem medidas para uma maior e melhor recolha de fundos, nomeadamente através da quotização e a rentabilização da venda de materiais produzidos pela URAP. Coube a Marília Villaverde Cabral fazer a intervenção sobre a proposta do Conselho Directivo para o Plano de Actividades para 2016-2017. José Pedro Soares, membro do Conselho Directivo, falou sobre questões internacionais, sendo seguido por Maria José Ribeiro, da Mesa da Assembleia-Geral, que relatou a actividade do núcleo do Porto. A questão dos fundos da URAP foi abordada por Diamantino Torres, membro da Conselho Fiscal da URAP.

 

Crescer e reforçar

 

Tomaram em seguida a palavra vários responsáveis dos núcleos da URAP. Bento Luís dissertou sobre a actividade e as dificuldades encontradas no concelho de Vila Franca de Xira, e Susana Luís, em nome de Luís Almeida, leu um texto sobre a presença da URAP nas redes sociais, particularmente no Facebook, onde é acompanhada por 1700 pessoas e cujas publicações alcançam, em média, 600 utilizadores.


AG 2Cláudio Pereira discorreu sobre o núcleo de Santa Iria de Azóia, Mário Araújo sobre o de Almada e Pedro Soares sobre a delegação de Setúbal. Interveio ainda José Vargas, sobre o trabalho do núcleo dos Professores da URAP.

Olga Macedo, em nome do Conselho Directivo, leu a moção apresentada à Assembleia, intitulada Cumprir a Constituição é cumprir e defender Abril, que foi aprovada por unanimidade e aclamação. O documento apela a todos os democratas, patriotas e antifascistas a para defendam activamente a Constituição contra as tentativas de reduzir ou deturpar os direitos e liberdades nela consagrados.

 


AG 3Votaram-se e aprovaram-se sempre por unanimidade o Relatório de Actividades do ano 2015, o Balanço, Contas e Parecer do Conselho Fiscal do ano 2015, e o Plano de Actividades para 2016-2017. A Assembleia aprovou, igualmente, uma saudação ao Congresso da CGTP-IN, que se realizava naquele momento em Almada.

A Ecolojovem, organização de juventude do Partido Ecologista «Os Verdes» enviou uma saudação à assembleia-geral.


Marília Villaverde Cabral, coordenadora da URAP, fez a intervenção de encerramento, perante mais de 40 sócios.

 

Intensa actividade em 2016

 

AG 1No ano de 2016, a URAP tem pela frente muitas actividades que precisa de levar a cabo com a participação activa dos membros da organização, destacando-se desde já a celebração dos 40 anos de vida da URAP, a homenagem aos tarrafalistas, a evocação dos 80 anos do início da Guerra Civil de Espanha e a comemoração do 42.º aniversário do 25 de Abril. Sobre isto falou Marília Villaverde Cabral na abertura da Assembleia-Geral da URAP, lembrando igualmente iniciativas que continuam do ano de 2015.


Recordando a viagem a Angra do Heroísmo, nos Açores, onde os participantes visitaram os locais utilizados por alguns dos presos políticos em trânsito para o Tarrafal, como o Forte de S. Sebastião e o Forte de S. João Baptista, afirmou que a partir de Maio a URAP vai fazer uma investigação na Torre do Tombo para apurar os nomes de todos os antifascistas que ali estiveram encarcerados. «Em conjunto com a Câmara de Angra do Heroísmo, com quem estamos em contacto, encontraremos a melhor forma de honrarmos aqueles heróis e contribuirmos para o enriquecimento da História do nosso País», disse a coordenadora da URAP.


Relatando outra tarefa a concretizar, referiu-se ao projecto museológico «Do Heroísmo à Firmeza», salientando a grande vitória que constituiu a assinatura do protocolo com o Ministério do Exército, «de que a companheira Maria José Ribeiro foi grande impulsionadora».

 

Prioridade aos núcleos

 

Para a coordenadora, a URAP deve dar prioridade à criação e dinamização de núcleos por todo o País, ao estabelecimento de mais protocolos de cooperação com câmaras municipais, juntas de freguesia e outras instituições, à apresentação da maqueta do memorial com o nome de todos os antifascistas que estiveram presos no Forte Peniche, uma iniciativa da URAP com a Câmara de Peniche.


A propósito do aniversário da URAP, Marília Villaverde Cabral lembrou que a organização nasceu «da vontade de antifascistas que pertenceram à Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, de tarrafalistas e de outros democratas que, independentemente da liberdade já conquistada, consideraram importante a existência de uma associação que lutasse contra o branqueamento do fascismo, pela paz e pela democracia».


«Para comemorar os 40 anos da URAP, vamos festejar, vamos conviver, vamos lembrar os tempos duros do fascismo que, por muito que tentassem os fascistas, não conseguiam roubar-nos a alegria de convivermos, de estarmos juntos por lutarmos por ideais de liberdade, de paz e de uma vida melhor para o nosso povo.»



Paz, liberdade, solidariedade

 

A complexa situação nacional e internacional e a nova correlação de forças existente, em Portugal, na Assembleia da República, foram questões destacadas pela coordenadora da URAP no discurso de encerramento da Assembleia-geral. Para Marília Villaverde Cabral, «foi possível travar o passo a várias medidas que, levadas a cabo pelo anterior Governo, representaram um profundo retrocesso económico, social e democrático, bem como a outras que estavam na sua agenda política».


Valorizando a necessidade de «continuar a intervir para dar mais força a uma política de desenvolvimento, de progresso social e criação de emprego», a URAP alerta para o facto de 2016 ser «mais um ano de grande exigência para os democratas». É necessário empreender uma política que «defenda a soberania nacional, liberta das pressões a que o nosso país tem vindo a ser sujeito pela União Europeia e pelo grande capital, os endeusados mercados».


A terminar, Marília Villaverde Cabral lançou um apelo aos sócios da URAP para que contribuam cada vez mais para o «desenvolvimento da luta pela paz, pela liberdade, pela solidariedade internacional».


Professores contra o branqueamento do fascismo

 

A fim de combater o branqueamento do fascismo, o núcleo de professores de Lisboa da URAP vai organizar um inventário de espaços da cidade ligados à resistência antifascista, com vista à publicação de um roteiro.


A brochura servirá também de apoio a visitas e a outras iniciativas que contribuam para combater a reescrita da história que desvaloriza e procura apagar a importância da luta e da resistência antifascista na conquista da liberdade e da democracia.


Para tal, o núcleo vai recolher depoimentos e testemunhos de resistentes mais directamente relacionados com os locais inventariados, em matérias como a prisão e tortura, tribunais, censura, resistência cultural, lutas estudantis, casas e tipografias clandestinas, greves, manifestações, lutas operárias e populares, nomeadamente. O núcleo dos Professores apelou ao contributo de todos.


A palavra aos núcleos

 

Os formidáveis avanços tecnológicos das últimas décadas não conseguiram acabar com as desigualdades e a fome, que afecta 800 milhões de pessoas no mundo, afirmou Cláudio Oliveira, do núcleo de Santa Iria de Azóia, na Assembleia-geral. O orador lembrou ainda as guerras no Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria e a ocupação de territórios da Palestina, que provocaram uma enorme onda de refugiados que ultrapassou a vaga de deslocados da II Guerra Mundial.


Cláudio Oliveira referiu-se ainda à actividade da URAP em 2015, destacando a passagem da Tocha da Paz, as comemorações do 25 de Abril e as tradicionais visitas guiadas, desta feita a Grândola e Palmela. A prioridade do núcleo é alargar o número de sócios, particularmente jovens.


«Continuar o trabalho didáctico e pedagógico no sentido da informação, esclarecimento de todos os portugueses, sobretudo dos mais jovens», é a tarefa que o núcleo Cova da Piedade/Almada da URAP se propõe para o ano de 2016, como revelou Mário Araújo. Apresentando perante a Assembleia-geral a actividade realizada em 2015, o núcleo destacou a passagem da Tocha da Paz pelas 11 freguesias do concelho de Almada, as sessões nas escolas e as comemorações do 25 de Abril e do 5 de Outubro.
O núcleo da Cova da Piedade/ Almada tem uma situação financeira regularizada e os seus membros têm as quotas em dia, lamentando apenas o facto de não ter ainda conseguido uma sede própria.

 

Uma brochura que registe locais e acções da resistência nos concelhos de Palmela e Setúbal vai ser publicada, em 2016, pela delegação de Setúbal da URAP, já que para tal está assegurado o financiamento da publicação, estando previsto igualmente a renovação do Protocolo com a Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE), celebrado em 2007, e a assinatura de novos protocolos.

À laia de balanço de 2015, Pedro Soares destacou na Assembleia-geral a participação do núcleo de Setúbal nas iniciativas com a Tocha da Paz da FIR, as conversas sobre o fascismo e os valores de Abril em oito escolas, a promoção de um ciclo de cinema antifascista, a participação nos desfiles das comemorações do 25 de Abril em Setúbal e em Lisboa, e a integração na Comissão Promotora da Tribuna Pública de denúncia e condenação das manobras da NATO em território português.


Apesar da batalha vitoriosa da criação do projecto museológico "Do Heroísmo à Firmeza", na antiga cadeia do Porto, ter consumido grande parte das energias do núcleo do Porto, nomeadamente na recolha de 4.700 assinaturas para a Petição a apresentar na Assembleia da República, outras actividades ocorreram em 2015 com destaque para a passagem da Tocha da Paz com sessões organizadas nas escolas e nas colectividade.Maria José Ribeiro referiu ainda na Assembleia-geral as comemorações do 25 de Abril e a angariação de apoio financeiro para pôr de pé a iniciativa "Do Heroísmo à Firmeza" que vão estar na ordem do dia em 2016.