Inauguração exposição evocativa dos 75 Anos da instalação da Prisão Política em Peniche (1934-2009)

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1o_painel_expo_75_anos_penicheDecorreu no dia 3 de Janeiro de 2009 a inauguração da Exposição evocativa dos 75 Anos da instalação da Prisão Política em Peniche, nas antigas celas do seu Pavilhão C. A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) e a Câmara Municipal de Peniche levaram a cabo um trabalho de preparação e execução de um conjunto de 27 painéis retratando a Fortaleza como foco da luta pela Liberdade e a sua história, os presos políticos, as fugas do cárcere e o projecto de instalação de um Museu da Resistência e da luta pela Liberdade.

A cerimónia de inauguração da Exposição decorreu no Salão Nobre da Fortaleza de Peniche, contando com a presença na sua mesa de: Joaquim Meireles, técnico de museografia da Câmara Municipal de Peniche; Carlos Almeida, chefe do Gabinete de Apoio ao Presidente da Câmara Municipal de Peniche; Rogério Cação, presidente da Assembleia Municipal de Peniche; Aurélio Santos, coordenador do Conselho Directivo da URAP; Jorge Amador, vice-presidente da Câmara Municipal de Peniche. O presidente da Câmara Municipal de Peniche, António José Correia, esteve ausente por motivos de saúde. Na assistência estiveram presentes vários ex-presos políticos antifascistas, seus familiares e amigos, para além de habitantes de Peniche.

Usando da palavra, o presidente da Assembleia Municipal de Peniche evocou os longos anos de ditadura fascista vividos pelos presos políticos no interior do cárcere instalado na Fortaleza de Peniche, lembrando a forma como mesmo nas horas mais difíceis se manteve viva a luta pela Liberdade no seu interior. Na sua intervenção, o coordenador do Conselho Directivo da URAP considerou ser de enorme actualidade e justiça a inauguração desta Exposição. Assim, o seu conteúdo permite aos visitantes tomarem contacto com a forma como o regime fascista se implantou, consolidou e desenvolveu no País, reflectindo para além da sua bárbara política repressiva todos os seus sustentáculos nos planos económico e financeiro enquanto fiéis espelhos do seu carácter terrorista favorecendo os grandes agrários e detentores do capital monopolista que com ela se desenvolveram. Tendo em atenção esse aspecto, Aurélio Santos realçou igualmente a importância de possibilitar a todos os cidadãos a informação acerca do que foram os tempos tenebrosos da vigência do fascismo em Portugal, lembrando sobretudo as jovens gerações nascidas já com Abril e a importância da vigilância atenta que urgia continuar a levar a cabo para que o regime democrático em que vivemos pudesse conservar-se sem regressões e desfiguramentos antidemocráticos e antipopulares. Por seu lado, o vice-presidente da Câmara Municipal de Peniche assinalou a importância para o município da inauguração desta Exposição no espaço da Fortaleza, confirmando a atenção que se pretendia votar a esta infra-estrutura e os planos para o seu futuro. Nesse âmbito coube a Jorge Amador destacar o intuito da Câmara em reabilitar e revalorizar o espaço da Fortaleza numa acção concertada entre a instalação de uma Pousada de cariz turístico, por um lado, e de um Museu e de estruturas de apoio documental, pedagógico e cultural, por outro. Também destacou a presença de muitos dos que valorosa e abnegadamente lutaram pela Liberdade em Portugal, homenageando particularmente várias gerações de presos que passaram por Peniche.

No final da cerimónia, Jorge Amador convidou os presentes a deslocarem-se ao Pavilhão C e às celas onde foram simbolicamente franqueadas as suas portas por ex-presos políticos presentes, tal como por seus familiares, inaugurando a Exposição. Posteriormente, e assinalando os 49 anos da fuga de 3 de Janeiro de 1960 protagonizada por 10 antifascistas da Fortaleza de Peniche, os presentes percorreram o trajecto realizado pelos protagonistas dessa fuga, alcançando a muralha de onde foi lançado um conjunto de lençóis recordando a actuação ocorrida nesse dia pelos dez lutadores pela Liberdade. Nesse local foi colocada uma placa assinalando esse facto, contendo os seus nomes: Álvaro Cunhal, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra, Francisco Miguel, José Carlos, Guilherme Carvalho, Pedro Soares, Rogério de Carvalho e Francisco Martins Rodrigues, para além do guarda prisional Jorge Alves. Estava realizada esta singela homenagem aos resistentes antifascistas que conheceram o encarceramento em Peniche, particularizada no triunfo de uma das mais valorosas fugas daquela Prisão Política, permitindo que a luta prosseguisse para que pudesse ser hoje livre o caminho que trilhamos.

A Exposição estará patente durante todo o ano de 2009 na Fortaleza de Peniche, estando planeadas outras actividades que evocarão momentos particularmente marcantes da história da luta pela Liberdade em Peniche e no País.

Ver vídeo: A exposição vista por um visitante