Núcleo do Porto da URAP visita Fortaleza de Peniche

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forte_peniche_vista_marRealizou-se no passado dia 18 de Janeiro de 2009 a visita do Núcleo do Porto da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) à Fortaleza de Peniche. Trinta e sete sócios e amigos da URAP juntaram-se para rumar a um dos principais pólos da resistência antifascista em Portugal. Chegados ao monumento eram aguardados por: Aurélio Santos, coordenador do Conselho Directivo da URAP; Encarnação Raminho, membro do Conselho Directivo da URAP; David Pereira, membro da URAP; Manuel Pedro, resistente antifascista e igualmente ex-preso político em Peniche.

forte_peniche_secco_resistenciaEntrados no espaço da Fortaleza, os visitantes dirigiram-se ao sector do antigo parlatório dos presos políticos, onde Manuel Pedro teve ocasião de relatar na primeira pessoa os momentos vividos junto de familiares e amigos aquando da permanência no espaço, onde a rigidez e o apertado controlo por parte dos guardas prisionais impunham situações de enorme sensibilidade e sofrimento para com todos os presentes. Sobretudo junto das crianças que visualizavam desde tenra idade os seus pais encarcerados em condições propositadamente difíceis, criando mesmo traumas que perduraram com o tempo. A política repressiva do fascismo era assim igualmente exercida no interior da Fortaleza junto dos familiares e amigos dos resistentes detidos nas suas instalações.

Após o almoço, os companheiros e amigos do Núcleo do Porto voltaram à Fortaleza para se dirigirem ao Baluarte Redondo, conhecido como O Segredo, e intencionalmente utilizado durante vários anos pelo seu carácter inóspito como local de cumprimento de castigos aplicados no interior da Fortaleza aos presos políticos, sofrendo aí regimes de alimentação e hidratação propositadamente deficitários. Nesse local, Manuel Pedro narrou de forma aprofundada a heróica e arriscada fuga de António Dias Lourenço, ocorrida na madrugada de 17 para 18 de Dezembro de 1954. Após a permanência junto a esse local particularmente penoso para a permanência dos presos políticos, os visitantes dirigiram-se para o espaço do pátio junto aos Pavilhões construídos durante os anos de 1950, onde de novo Manuel Pedro teve ocasião de iniciar a explicação da forma como se processaram muitos dos contactos mantidos de forma camuflada entre os detidos, contornando a proibição de comunicação entre si em cada um dos Pavilhões A, B e C, ou mesmo entre os presos nos diferentes pisos dos mesmos edifícios.

Posteriormente, os visitantes encaminharam-se para a subida ao terceiro piso do Pavilhão C, onde se detiveram no interior do antigo refeitório e respectiva cozinha prisional. Aí interveio Aurélio Santos para aludir à importância deste tipo de iniciativas por parte dos Núcleos da URAP, aliando a valorização e enaltecimento da resistência antifascista no País e o seu convívio e fortalecimento ao nível da organização nacional. Por outro lado, referiu a dedicação e acompanhamento que a URAP vinha mantendo junto da Câmara Municipal de Peniche no âmbito do protocolo rubricado em 25 de Abril de 2007 no sentido de ser constituído em Peniche um Museu da Resistência e da luta pela Liberdade. Nesse seguimento, o coordenador do Conselho Directivo da URAP recordou igualmente o projecto de instalação de uma Pousada nas instalações da Fortaleza, reforçando a convicção de que ambos os planos seriam perfeitamente compatíveis. Também acentuou o papel decisivo que os núcleos constituídos regional e localmente têm para a URAP, conforme se vinha demonstrando pela sua dinamização interna.

De seguida, David Pereira aludiu de forma introdutória à Exposição inaugurada no espaço das celas do terceiro piso do Pavilhão C no dia 3 de Janeiro de 2009, referindo que após uma introdução de contextualização histórica acerca da imposição pela força de uma ditadura militar em Portugal e da consequente construção do Estado fascista no País entre 1926 e 1974, os visitantes poderiam encontrar painéis alusivos à própria história da Fortaleza de Peniche, balizada entre a edificação do Baluarte Redondo ainda no século XVI, e a Revolução de 25 de Abril de 1974. Em seguida aquele membro da URAP referiu que os painéis seguintes se reportavam aos primeiros presos políticos encarcerados na Fortaleza, sobretudo durante os anos de 1930, com exemplos de valorosos participantes na jornada heróica de 18 de Janeiro de 1934 ou na revolta dos marinheiros de 8 de Setembro de 1936, entre outros, e que cumpriram ainda a bárbara reclusão no Campo de Concentração do Tarrafal. Duas das mais notáveis fugas concretizadas com êxito, em 17 de Dezembro de 1954 e em 3 de Janeiro de 1960, são também abordadas na Exposição, tendo David Pereira acrescentado ainda a alusão feita à libertação dos presos políticos em 27 de Abril de 1974 e às conquistas democráticas obtidas com Abril, encerrando-se a exposição com a alusão ao projecto relativo ao Museu da Resistência e da luta pela Liberdade.

Após o visionamento de um pequeno filme de sintetização da Exposição no espaço da antiga Biblioteca dos Presos Políticos Soeiro Pereira Gomes, os visitantes percorreram o caminho seguido pelos dez integrantes da fuga de 3 de Janeiro de 1960, tendo-se encerrado a visita junto a esse local.

Coube a Maria José Ribeiro, em nome do Núcleo do Porto, valorizar toda visita e a confraternização dos companheiros e amigos neste dia em Peniche, destacando igualmente este género de iniciativas.