URAP participa em sessão sobre o 25 de Abril no Seixal

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Sessão sobre o 25 de Abril na Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira
Arrentela, Seixal

            A URAP esteve presente numa sessão sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974, ocorrida a 21 de Abril de 2009 pelas 10.30 horas na Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira. O Núcleo da URAP do concelho do Seixal e o Departamento de Ciências Humanas da Escola convidaram a estar presentes na mesa Francisco Lobo, 1.º secretário da Mesa da Assembleia-Geral da URAP e antigo presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Duran Clemente, capitão de Abril, David Pereira, membro do Conselho Directivo da URAP e Rainer Nalm, cidadão alemão com fortes ligações a Portugal após a Revolução de 25 de Abril.

            Por parte de Francisco Lobo foi abordada a longa e tenaz resistência e luta pela Liberdade em Portugal durante a ditadura fascista, recordando o orador a sua própria prisão às mãos da PIDE em 1962 e a corajosa luta dos antifascistas portugueses que contribuiriam ao longo da longa noite fascista para que o cravo de Abril pudesse brotar na madrugada libertadora ali celebrada.

            Já Duran Clemente optou por abordar de forma mais geral a situação política, económica e social de Portugal sob o jugo do fascismo, apresentando indicadores estatísticos da situação de extrema miséria, pobreza, obscurantismo e sofrimento impostos ao povo português durante o regime fascista que favorecia, por seu lado, um punhado de detentores dos grandes grupos económicos que se foram consolidando à sombra da ditadura fascista. Também lhe coube uma abordagem mais desenvolvida ao papel das Forças Armadas Portuguesas em todo o processo que conduziu ao 25 de Abril de 1974, destacando a situação vivida nos treze anos de Guerra Colonial com que o regime de Salazar e de Caetano respondeu às legítimas aspirações e luta pela independência dos patriotas das antigas colónias portuguesas, assim como o crescimento da consciencialização política e ideológica de muitos dos militares naquele contexto.

            Por seu lado, David Pereira preferiu centrar a sua intervenção no papel da juventude durante a resistência ao fascismo em Portugal, tal como a sua participação ímpar na Revolução e Processo Revolucionário que se lhe seguiu, contribuindo decisivamente para a consagração e implementação de direitos políticos, económicos, sociais e culturais que pela primeira vez na história nacional foram uma realidade para os portugueses e para a própria juventude. Por isso referiu a aprovação da Constituição da República Portuguesa em 2 de Abril de 1976 como um dos seus expoentes mais altos e o ideal de que os direitos se defendem sendo exercidos, reflectindo a profunda esperança de que a juventude portuguesa pode ser portadora da defesa dos ideais de Abril e da construção de um País mais justo e progressista.

            Na intervenção de Rainer Nalm foram evocadas as recordações que teve na República Federal Alemã em 1974, quando com treze anos conheceu as notícias da libertação de Portugal do fascismo e a forma como visitara o País pela primeira vez em 1980, conhecendo ainda muitos dos efeitos da Revolução Portuguesa na realidade vivida então. Para além de como se ligara definitivamente a Portugal através do estudo da língua portuguesa e desenvolvera estudos académicos sobre o País, onde a profunda transformação vivida foi muitas vezes comprovada em Portugal.

            Após a actuação de um grupo de estudantes de origem cabo-verdiana com danças tradicionais de Cabo Verde, foi feita uma ronda pela assistência que resultou em comentários e interpelações aos presentes na mesa. A sessão terminou com um novo destaque à celebração de Abril.