Homenagem a Arnaldo Mesquita, lutador Antifascista

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arnaldo_mesquita_3Foi no dia 9 de Maio na Cooperativa Arvore, no Porto, recebido com cravos vermelhos e a saudação que lhe é tão querida - 25 DE ABRIL SEMPRE, FASCISMO NUNCA MAIS - que ARNALDO MESQUITA foi homenageado, pela URAP, por camaradas e amigos dos mais diversos quadrantes, numa manifestação simples, mas carregada de afecto e de grande apreço pelo Homem e pelo Cidadão, que sem desfalecimentos na incessante luta pela conquista da Liberdade e da Democracia, com sacrifício da sua vida pessoal, familiar e profissional, sempre se manteve fiel aos seus ideais. A sua persistente luta contra o fascismo, valeram-lhe a animosidade e a perseguição do regime salazarista, a prisão nas masmorras da PIDE. Como Advogado, distinguiu-se na defesa corajosa de outros presos políticos nos famigerados Tribunais Plenários. Os valores da democracia, a luta pela libertação do nosso povo e pela melhoria das suas condições de vida, a solidariedade activa para com os mais fracos e oprimidos são atributos que definem a sua personalidade e que tornaram, mais do que merecida, imperiosa esta homenagem. Significativamente, nestes dias de Abril e Maio, os dias da Liberdade.

As intervenções de Macedo Varela, seu companheiro de profissão e luta que testemunhou vários passos da sua vida de lutador e de Amigo, do Bastonário da Ordem dos Advogados que ali prestou homenagem ao profissional e ao cidadão de convicções e de coragem; Jerónimo de Sousa que, em nome do seu Partido, relevou a generosidade com que prestou o seu apoio político e jurídico experiente a todos os perseguidos pelo fascismo que procuraram o seu conselho, a sua coerência ideológica, as prisões e as torturas a que foi submetido pela PIDE, a sua intervenção cívica antes e depois de Abril de Manuel Coelho dos Santos que foi seu defensor enquanto preso político e deu relevo à sua postura corajosa perante a PIDE, de Maria da Piedade Gomes que lembrou com comoção o envolvimento profundo de Arnaldo Mesquita no processo da sua libertação, condenada que estava às famigeradas "medidas de segurança"; de mulheres autarcas, de formações políticas diferentes, que deram testemunho comovido da postura exemplar deste defensor da Liberdade, do Homem solidário com quem aprenderam a valorizar o exercício da Democracia; tal como a força que foi dada à leitura de alguns dos seus poemas, confirmaram a justeza desta Homenagem.

A URAP que, na pessoa de Maria José Ribeiro, moderou a sessão, entendeu manifestar a sua homenagem com a publicação da entrevista que recentemente lhe foi feita, com a cooperação da sua Companheira de sempre, Maria Alcina, e onde ressalta a sua personalidade sensível e combativa, o carácter vertical e uma inabalável firmeza de princípios.

Nascido em 16 de Janeiro de 1930, na freguesia do Torno, concelho de Lousada, Advogado de Profissão, pertenceu, enquanto estudante, em Coimbra, à Direcção do MUD Juvenil. Aderiu ao Partido Comunista Português em 1949. Foi preso três vezes pela PIDE. Foi Membro da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Foi membro da Assembleia Municipal de Lousada, eleito nas Listas da APU, FEPU e CDU. Foi distinguido com a medalha de Prata de Mérito Municipal da Câmara Municipal de Lousada, em 2008.   

Arnaldo Mesquita, numa intervenção coloquial, profundamente sentida e cheia de conteúdo, alertou para o perigo do fascismo se instalar por aí. É preciso lutar! Esclarecer as pessoas, transformar as pequenas em grandes lutas, os pequenos protestos em grandes protestos; Lutar pela defesa das liberdades, organizadamente, a nível sindical, sócio-profissional e político, com todos os antifascistas!, disse.