URAP reúne a Assembleia Geral

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img_2889.jpgRealizou-se no dia 27 de Fevereiro, na Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto, em Lisboa, a Assembleia-Geral da URAP. Cerca de três dezenas de sócios estiveram presentes na reunião magna da associação para a apreciação e votação do Relatório e Contas das Actividades do ano 2009 e respectivo parecer do Conselho Fiscal e para a apresentação e votação de alteração dos Estatutos e do Regulamento da URAP.

img_2902.jpgO presidente da Mesa da Assembleia-Geral, Levy Baptista, deu a palavra ao coordenador do Conselho Directivo da URAP, Aurélio Santos, que evocou algumas das actividades realizadas durante o ano transacto, dando especial destaque ao facto de no XV Congresso Ordinário da Federação Internacional de Resistentes - Associação Antifascista (FIR), em 9 e 10 de Janeiro de 2010 em Berlim, ter sido eleito um membro do Conselho Directivo da URAP, David Pereira, para o Comité Executivo daquela organização internacional. Referiu com igual destaque e enalteceu a presença de uma delegação de quarenta portugueses numa visita guiada e promovida pela URAP ao Campo de Concentração do Tarrafal e Cabo Verde, entre 30 de Abril e 6 de Maio de 2009. Ali o coordenador do Conselho Directivo da URAP interveio no Simpósio Internacional acolhido pela Fundação Amílcar Cabral e onde simbolicamente foram homenageados os 340 portugueses ali encarcerados entre 1936 e 1954 e os 236 patriotas africanos ali detidos entre 1962 e 1974 pelo regime fascista e colonialista português. Destaque mereceu também a Homenagem publicamente anunciada a realizar por uma Comissão Promotora à Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (CNSPP) e a que a URAP dava o seu apoio, o que o ocorrera no Centro Nacional de Cultura no dia 25 de Fevereiro de 2010.

img_2890.jpgFazendo uma alusão mais pormenorizada a estas iniciativas em que a URAP esteve envolvida, foi dada em seguida a palavra a David Pereira, também do Conselho Directivo da URAP, para aludir à presença da delegação da URAP no XV Congresso Ordinário da FIR. Coube depois a Encarnação Raminho, como membro do Conselho Directivo, referir mais detalhadamente a importância da presença portuguesa por via da iniciativa da URAP na homenagem pelo 35.º aniversário do encerramento definitivo do Campo de Concentração do Tarrafal. Em seguida, foi abordada a actividade da Coordenadora dos Núcleos da URAP, através de Maria Celestina Leão, apontando-se a necessidade de desenvolver e potenciar essa coordenação da actividade dessas estruturas essenciais na actividade local da URAP em todo o País. Depois, coube a Ana Pato, do Conselho Directivo, apresentar o balanço em relação à informação veiculada quer através do sítio na Internet, quer através do Boletim da URAP.

Passou-se depois à apreciação do Balanço e Contas no Exercício de 2009 da URAP, cabendo a Álvaro Contreiras, do Conselho Fiscal, enunciar um parecer positivo acerca da evolução das contas da associação. Depois foram lidas as Moções propondo a congratulação pela eleição de um membro do Conselho Directivo para o Comité Executivo da FIR, apoiando a homenagem à CNSPP e outra Moção apoiando igualmente a intenção de criar em Cabo Verde, no Tarrafal, um Memorial da Libertação do Fascismo e Colonialismo Português, uma das principais conclusões saídas do Simpósio ali realizado em 2009.

O presidente da Assembleia-Geral deu em seguida a possibilidade de intervenção a outros sócios presentes. Abriu-se espaço à apresentação da actividade de alguns dos Núcleos da URAP. Pela Amadora, Hugo Janeiro documentou os debates realizados nas escolas básicas do concelho por altura do 25 de Abril, pretendo aquele Núcleo realizar várias distribuições junto às escolas do Jornal da Juventude da URAP Resistência. Pelo Núcleo da URAP em Almada, Mário Araújo reportou a importância da intervenção local da associação, inserindo-se na tradição democrática e progressista daquele concelho, lembrando as políticas de agravamento da exploração dos trabalhadores e povo em geral e os obstáculos criados à actividade da URAP, onde as comemorações do Dia Internacional da Mulher de 8 de Março, as várias sessões nas escolas do concelho comemorando a Revolução de Abril e as homenagens públicas ao grande resistente antifascista e comunista Alberto Araújo em Dezembro do ano transacto se destacaram. Coube a Diamantino Torres apresentar a actividade do Núcleo de Santa Iria de Azóia, onde as visitas realizadas a Constância e Marinha Grande foram muito participadas. Por Setúbal, Américo Leal valorizou o trabalho na recolha de fundos de quotização dos sócios.

Seguiu-se depois a votação do Relatório e Contas de 2009 e do Parecer do Conselho Fiscal, quer foram aprovados por unanimidade e aclamação pelos sócios presentes, assim como as três moções entretanto dirigidas ao auditório. Entrados no segundo ponto da ordem de trabalhos, foram votadas por unanimidade as alterações aos Estatutos e ao Regulamento da URAP, após um período prévio de discussão da proposta do Conselho Directivo apresentada por Susana Luís.

Encerrando os trabalhos, Aurélio Santos lançou vários dos desafios com que a URAP se via confrontada no futuro. Na sua intervenção, o coordenado da URAP apontou os perigos que pendiam sobre o regime democrático consagrado na Constituição da República Portuguesa, sobretudo no plano da amputação dos direitos sociais contidos na Lei Fundamental, através dos muitos ataques aos direitos, liberdades e garantias no plano laboral, sindical, associativo, entre outros. Por isso ganhavam maior destaque as sessões a realizar nas escolas e junto da juventude, procurando enaltecer a Revolução de Abril e as suas conquistas, não permitindo qualquer tipo de desvalorização ou branqueamento do período mais luminoso da história colectiva nacional. Mas também o recrutamento para as fileiras da URAP de jovens que continuassem o trabalho pela valorização da liberdade e democracia e denúncia dos crimes do fascismo em Portugal. Por isso, a URAP projectava também realizar ainda neste ano de 2010, acompanhado o projecto da FIR, uma visita guiada ao Campo de Concentração de Auschwitz, na Polónia, pelos 65 anos da libertação dos presos políticos e da vitória dos povos sobre o nazi-fascismo.

Muitas responsabilidades e desafios se colocam à URAP correspondendo aos passos firmes de afirmação do seu papel e trabalho na sociedade portuguesa. Mas foi com confiança que todos os sócios saíram da Assembleia-Geral, seguros de que a URAP haveria de corresponder a estes desígnios necessários.


Moção sobre a participação da URAP na Direcção da FIR

Moção sobre o Tarrafal e o Memorial Internacional de Luta pela Liberdade dos Povos

Moção sobre a Homenagem à Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos

Informação das actividades desenvolvidas pela URAP no ano de 2009