URAP realiza sessão e debate do filme 48 com a realizadora Susana de Sousa Dias

sessao_48_2s.jpgVárias dezenas de pessoas assistiram no Cinema Alvalade no passado dia 17 de Maio a uma sessão do documentário 48 realizado por Susana de Sousa Dias e já premiado internacionalmente em países tão diversos como a França, a Alemanha e o Canadá, reunindo a aprovação unânime da crítica no plano do cinema documental mundial.

sessao_48_4s.jpg

 Utilizando apenas as fotografias do cadastro do Registo Geral de Presos da PVDE/ PIDE/ DGS como projecção na tela e a evolução visual dos seus rostos durante os seus anos de encarceramento, dezasseis presos políticos relatam a sua experiência pessoal de resistência e luta nas prisões e na sede da polícia política portuguesa, resistindo heroicamente às torturas, sevícias, chantagens e humilhações de todo o tipo que os esbirros daquela polícia usavam no contexto da repressão política em Portugal e nas antigas colónias portuguesas. Somando muitos anos na prisão, os relatos impressionantes daqueles que conseguiram, também em situações limite, resistir e não claudicar perante a barbaridade e desumanidade que a PIDE utilizou na sua acção criminosa ficaram patentes de forma bastante singular neste documentário de noventa e três minutos. Sobressai, seguramente, a coragem e apego aos ideais de liberdade, democracia e justiça social que os presos políticos empunharam mesmo nos momentos mais difíceis como alguns dos que ali estão relatados em 48, enquanto menção expressa ao período em anos que medeia entre 28 de Maio de 1926 e 25 de Abril de 1974.

Após o filme, os presentes tiveram oportunidade de contactar directa e presencialmente com a realizadora Susana de Sousa Dias e com o produtor Ansgar Schaefe num debate, em que a autora referiu o processo de elaboração e recolha dos elementos necessários à concepção do documentário. Entre a assistência, contavam-se também vários antigos presos políticos e resistentes antifascistas, que enriqueceram também esta conversa. A coordenadora do Conselho Directivo da URAP, Marília Villaverde Cabral, agradeceu o empenho e o resultado do documentário a Susana de Sousa Dias, sobretudo junto das novas gerações, pela forma como todo o filme está concebido e o interesse da autora em continuar a trabalhar cinematograficamente a temática da resistência antifascista.

Pela força dos seus ideais mantida intacta mesmo perante as mais brutais arremetidas da PIDE, este documentário é uma homenagem a todos os que se ergueram para lutar pelo derrubamento do fascismo em Portugal e seguramente transmite a força e a criatividade às novas gerações para defenderem o regime democrático e os seus direitos, não subsistindo sob a ocultação e branqueamento do que foram os 48 anos do fascismo em Portugal num tempo em que a luta se torna necessária perante as ameaças que se adensam sobre a sociedade portuguesa. Pela sua parte, a URAP reafirmou também no debate o seu empenho em também contribuir para que possa florescer em Portugal uma vida melhor para o seu povo.