Apresentação do livro "Vidas na Clandestinidade" de Cristina Nogueira

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Será hoje apresentado, na Biblioteca-Museu República e Resistência, pelas 18h30, o livro Vidas na Clandestinidade de Cristina Nogueira, com a presença da autora, e de Armando Myre Dores do Grupo de Estudos Marxista.

De muitas formas resistiu o povo português. Os confrontos com a pobreza, o salário de miséria, a incerteza no trabalho, o analfabetismo, a tuberculose, a habitação insalubre: resistir à morte que o fascismo impunha era a primeira prova pela qual todos os trabalhadores tinham de passar.

Resistir à repressão, à ameaça, ao despedimento, aos patrões e à polícia política, era a dura tarefa que os trabalhadores que lutavam por melhores condições de vida, usando desde manifestações a abaixo-assinados, tinham de travar.

Contudo, ninguém como os funcionários clandestinos do Partido Comunista Português transformaram a sua própria vida em resistência. Resistir ao fascismo e à PIDE, que estudava com minúcia a organização clandestina do PCP, o seu aparelho clandestino, os seus documentos, os seus funcionários.

Vidas na Clandestinidade, de Cristina Nogueira, publicado pelas Edições «Avante!» em Fevereiro deste ano, é um livro sobre estes indispensáveis. Resulta da sua tese de doutoramento em Ciências de Educação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação na Universidade do Porto e tem como base nove entrevistas realizadas entre Fevereiro de 2003 e Junho de 2005. No total, os entrevistados viveram mais de 164 anos na clandestinidade e mais de 63 na prisão.

É um livro sobre estas vidas. Como começaram, como cresceram, como aprenderam, como viveram, como eram. É um livro sobre a casa clandestina e sobre a prisão. É um livro sobre a resistência ao fascismo e sobre a luta pelo futuro.

É, acima de tudo, um livro sobre estes homens e mulheres, muito jovens no início de cada uma destas vidas. Homens e mulheres normais, iguais a tantos outros do seu tempo, que fizeram uma opção. Não têm, como aliás Marx e Engels diziam em 1848, «nenhuns interesses separados dos interesses do proletariado todo».

Mas as suas vidas, como nos diz a autora no final do livro, «demonstram que é possível sonhar, que é possível lutar por aquilo em que acreditamos e que essa luta vale a pena». Por essa razão, é um livro para o nosso tempo.

 

Rui Mota