URAP promove homenagem ao matemático José Morgado

josemorgado.gifO Prof. José Morgado foi homenageado pela URAP dia 17 de Dezembro em Pegarinhos - Alijó, numa sessão em que intervieram César Príncipe, escritor, António Machievelo, professor da Faculdade de Ciências do Universidade do Porto, Celestina Leão, da direcção da URAP e o seu filho José Paulo Morgado.

Ver contribuição de Aurélio Santos


homeagem_jmorgado_2s.jpgA sessão na "Casa do Teatro" foi antecedida por uma romagem muito participada ao cemitério de Pegarinhos, lamentando-se a ausência por doença da companheira de toda a sua vida, Maria Helena Novais.  

José Morgado viveu 14 anos no Brasil onde leccionou Matemática. Obrigado a deixar o seu país, depois de várias prisões, seguiu os passos de outros anti-fascistas como Ruy Luís Gomes, seu companheiro inseparável no Recife, quando o governo português dispensou os seus extraordinários dotes de docente.

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Quando a 14 de Junho de 1947 o Conselho de Ministro da época deliberou afastá-lo do ensino oficial por razões políticas, José Morgado era professor do Instituto Superior de Agronomia. Com ele são expulsos Manuel Valadares, Francisco Pulido Valente, Crabbé Rocha, entre tantos outros.

Nascido em Pegarinhos, Alijó, onde fez a escola primária, teve de cursar os dois primeiros anos do liceu em Favaios, que dista 19 quilómetros. Para continuar os liceus teria de ir para Vila Real, a 60 quilómetros, mas  como a família não podia arcar com essa  despesa, foram alguns dos seus professores que a custearam para que o jovem e talentoso aluno pudesse continuar os estudos.

A este propósito, o seu professor de Filosofia em Vila Real,  Sant´Anna Dioníso, conta:

 

O rapaz [...] foi, conforme se previa, um dos mais destacados para não dizer dos mais notáveis estudantes que teriam passado pelos bancos do velho liceu. Nós mesmo, em dois anos lectivos consecutivos, o leccionamos na disciplina de Filosofia e com segurança podemos testemunhar a seriedade das suas capacidades de inteligência e trabalho. Foi, nessa geração escolar, o mais distinto aluno do Liceu, tendo concluído o curso complementar de Ciências com a mais elevada qualificação que a escala valorativa, convencional, entre nós o permitia e permite.

 

Licenciou-se em 1944 em Matemáticas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, conseguindo tirar o curso à custa de dar explicações. A partir de 1942 iniciou a sua carreira docente, leccionando em colégios particulares (em Espinho e no Porto). Em 16 de Julho de 1945 entrou como Assistente no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.

Após a expulsão, José Morgado tenta aguentar-se em Portugal, durante cerca de 13 anos, dando lições particulares, nomeadamente de Cálculo Infinitesimal, Matemáticas Gerais, Geometria Descritiva  e Geometria Projectiva a estudantes do ensino superior.

Enquanto isto, do ponto de vista político e cívico, militava no Movimento Nacional Democrático e participava activamente na campanha da candidatura presidencial do general Norton de Matos, em 1949, o que o levou à prisão pela PIDE várias vezes.

Durante a sua estada no Brasil o seu nome, bem como o do professor Ruy Luis Gomes, podia-se encontrar sempre nas iniciativas que a oposição democrática promovia no estrangeiro contra o fascismo.

 José Cardoso Morgado Júnior só depois do 25 de Abril regressaria a Portugal, onde foi reintegrado no quadro do Instituto Superior de Agronomia. Voltou ao Porto, onde foi vice-reitor da Universidade do Porto e professor Catedrático, tendo-se jubilado em 1991. Tem trabalhos científicos na área da Teoria dos Números e da Teoria dos Reticulados.