Na morte de Oscar Lopes

20130322_oscarlopes Ensaísta, professor, crítico literário e um dos grandes historiadores das letras portuguesas, Óscar Lopes morreu, dia 22 de Março, no Porto, aos 95 anos.
Resistente antifascista, preso pela PIDE, expulso e proibido de ensinar na escola pública e mesmo no ensino particular, foi igualmente impedido de leccionar na Universidade, onde só entrará após o 25 de Abril, na Faculdade de Letras do Porto.
Com largas dezenas de publicações em revistas, conferências e palestras escreveu duas obras de referência a “História da Literatura Portuguesa” (1945), em co-autoria com António José Saraiva, e a “Gramática Simbólica do Português – Um Esboço” (1971), a que se juntaram combativos textos de intervenção política e pedagogia social.
Destaca-se igualmente “Ler e Depois”, “Modo de Ler”, “Cifras do Tempo”, ”Os Sinais e os Sentidos”, “A Busca de Sentido”, dois volumes de “Entre Fialho e Nemésio” e estudos sobre Camões, Antero de Quental, Jaime Cortesão, Eugénio de Andrade, Joaquim Paço d`Arcos, Egito Gonçalves, Carlos de Oliveira, Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, entre outros.
Óscar Lopes foi igualmente o primeiro director literário da Editorial Inova, em 1968. O actual editor diz: “Óscar Lopes era um espírito brilhante, com conhecimentos múltiplos, e de uma personalidade fascinante em termos de simplicidade, bondade e solidariedade”.
“Não concebo a morte como hipótese, não é substantivo. Substantiva é a vida, incluindo aquela que foi mas ainda é”, escreveu Óscar Lopes num texto jornalístico em que reafirmou ser “materialista”.
Nascido em Leça da Palmeira em 1917, Óscar Lopes era filho de uma violoncelista e de um etno-musicológico e cursou também o Conservatório de Música do Porto.
Filiado no Partido Comunista Português desde 1944, Óscar Lopes é, para o poeta Manuel Gusmão, “um intelectual comunista de uma intensa constância na sua vida e na sua obra”. Era membro fundador da URAP.