Memorial de tarrafalista em rua de Alverca

inauguracao memorial josue romao martins 4O rosto sorridente e o nome de Josué Romão Martins formam o memorial de pedra que no dia 27 de Abril foi inaugurado em cerimónia pública pela autarquia local com a presença de familiares do tarrafalista recentemente falecido, de uma delegação da URAP e de outra do Clube de Praças da Armada, além de representantes da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Junta de Freguesia de Alverca e colectividades.



Muito conhecido e respeitado na cidade, não só pelo seu passado heróico que o levou ao Campo de Concentração do Tarrafal, mas também pela sua intensa actividade como activista do Movimento Associativo e militante do PCP, Josué Romão Martins teve naquela cerimónia a presença de personalidades várias das forças políticas, das colectividades e da população.

 


memorial josue romao martins 1Das diversas intervenções ressaltou o facto de o homenageado, uma vez regressado do degredo, ter montado um pequeno café precisamente na esquina de Alverca onde agora lhe foi erigido o medalhão branco em alto relevo. Esse café, o “Café Moçambique”, que acabou por dar lugar a uma agência bancária, foi ao longo de vários anos o ponto de encontro e de convívio de muitos democratas e, por isso, considerado um referencial da luta antifascista em Alverca.


Mas todas as intervenções destacaram especialmente a actividade política de Josué Romão Martins que em 1936, com apenas 18 anos de idade, foi inaugurar o “campo da morte lenta”, no Tarrafal, Cabo Verde, como degredado do regime fascista. Com ele foram nessa primeira leva 151 deportados políticos, entre os quais 60 marinheiros revolucionários e 37 grevistas da revolta operária da Marinha Grande de 1934.

 

 

 

 

inauguracao memorial josue romao martins 2Josué foi um dos marinheiros sublevados na “revolta do Tejo” em 8 de Setembro de 1936, quando três vasos de guerra, o “Dão”, o “Bartolomeu Dias” e o “Afonso de Albuquerque”, fundearam frente a Lisboa e lançaram um ultimato a Salazar para que cessasse a perseguição aos militares democratas da Armada e libertasse os presos políticos. Nos planos dos revoltados estava também a partida para o Mediterrâneo a fim de darem apoio à república espanhola que estava a ser atacada pelas forças fascistas de Franco com o apoio de Hitler e Mussolini.
Salazar recorreu a todos os meios de resposta, incluindo a Força Aérea, tendo feito dez mortos e centenas de prisioneiros, entre os quais Josué Romão Martins, embarcado no “Bartolomeu Dias” que partiu para o Tarrafal a bordo do “Luanda” no dia 29 de Outubro de 1936.

 


inauguracao memorial josue romao martins 3O campo de concentração do Tarrafal, que foi encerrado em 1954 e reaberto em 1961 para receber presos dos movimentos de libertação das colónias africanas de Portugal, foi concebido como local de expiação donde não se devia voltar. Daí o ter sido instalado numa zona insalubre e com péssimas condições de internamento, alimentação e saúde. Só na primeira fase morreram por doença 37 prisioneiros portugueses, um dos quais Bento Gonçalves, primeiro secretário-geral do PCP.