URAP iniciou comemorações do 25 de Abril com sessão cultural em Lisboa

15 marco 1O coro Juvenil da Universidade de Lisboa acabou a sua magnífica actuação a cantar o "Acordai", a canção "emblemática", com música de Fernando Lopes Graça e poema de José Gomes Ferreira, como lhe chamou a maestrina Erica Mandillo. O auditório explodiu em palmas.
Simbolicamente Erica Nandillo convidou o maestro do Coro Lopes Graça, José Robert, presente na sala, a dirigir a canção que termina assim:

 


"Acordai/acendei/de almas e de sóis/este mar sem cais/nem luz de faróis/e acordai depois/das lutas finais/os nossos heróis/que dormem nos covais/ Acordai!".

 


Toda a sessão com que a URAP iniciou as comemorações do 25 de Abril, realizada a 15 de Março no Auditório Camões, em Lisboa, foi, para além de uma homenagem à Revolução dos Cravos, um veemente apelo aos antifascistas e democratas para que "acordem" e lutem para que não se percam as conquistas de Abril.


"Os derrotados no 25 de Abril, conseguiram, pouco a pouco, com poderosas ajudas internas e externas, avançar na destruição do que o Povo tinha conquistado", disse Marília Villaverde Cabral, a coordenadora da URAP, que abriu a sessão (ver intervenção).
"Chico Buarque, que no seu Brasil, dominado pela ditadura fascista, dedicou uma linda canção a Portugal, cantou mais tarde ´já murcharam a vossa festa pá´. É verdade. Murcharam a festa. Mas ele disse também uma coisa muito importante ´certamente esqueceram uma semente nalgum canto de jardim´. Não foi uma, mas muitas sementes deitadas a esta terra que é nossa e num Abril mais próximo ou mais longínquo hão-de florir, de novo, os cravos vermelhos, símbolo da vontade do nosso Povo", acrescentou.


O grupo de músicos animadores Farra Fanfarra tinha acabado de tocar o Hino do MFA, enquanto passavam cenas da época da Revolução, como a saída dos presos de Caxias ou a rendição de Marcello Caetano no Largo do Carmo.


15 marco ensemble concordisOutro momento alto do espectáculo foi o quarteto Ensemble Concordis (Ana Margarida Sanmarful, Ana Sofia Sequeira, Maria José Brito Barriga e Abel Carvalho) que brindou os presentes com uma pequena peça de Vivaldi e outra de Manuel de Falla e lembrou José Afonso tocando algumas das suas mais conhecidas canções.








15 marco samuelZeca Afonso e Ary dos Santos estariam, aliás, presentes várias vezes. Samuel, que encerrou a sessão com "Gracias a la Vida", da chilena Violeta Parra, não se esqueceu da "Morte saiu à Rua" que relata o assassinato de José Dias Coelho, militante comunista na clandestinidade.
Este músico do "Canto Livre" recordou, entre outros, Adriano Correia de Oliveira com a canção tradicional "Lira" e o poeta António Gedeão com "Fala do Homem Nascido".





15 marco andre levyA poesia teve também lugar neste espectáculo, que encheu por completo o auditório Camões. Numa homenagem a Ary dos Santos, o actor de teatro André Levy declamou "As Portas que Abril Abriu" que dedicou "aos resistentes antifascistas anónimos".
O poema dito pelo alentejano Francis Raposo Ferreira falou-nos do sonho e a animadora cultural Isa Ferreira pôs a tónica no desemprego de que neste momento é vítima e que é igualmente o flagelo de muitos portugueses.


Foi bonita a festa pá.