Edifício do Heroísmo: URAP do Porto pede audiência aos Grupos Parlamentares

heroismo Museu Militar PortoO núcleo da URAP do Porto solicitou aos Grupos Parlamentares a marcação de uma audiência, com carácter de urgência, para discutir o pedido da organização ao Ministério do Exército e à Direcção do Museu Militar visando a transformação da antiga cadeia da PIDE na Invicta num edifício classificado como memória da resistência e da luta antifascista.

Simultaneamente e no mesmo sentido, lançou um abaixo-assinado (ver/assinar) a enviar aos presidentes da República e Assembleia da República, primeiro-ministro e grupos parlamentares. " Dado que o país e o Porto se preparam para comemorar os 40 anos da Revolução dos Cravos e da libertação dos presos políticos, os subscritores apelam às entidades competentes para que reconsiderem a oportunidade de dotar a Cidade e o Norte de um memorial que levante do esquecimento milhares de vítimas do fascismo", pode ler-se no documento.

 

Numa resenha histórica das actividades desenvolvida, a URAP conta que até ao Abril de 1974, a Polícia Política manteve no edifício da Rua do Heroísmo, nº 329, na cidade do Porto, a sua sede. Aí, cerca de 7 600 cidadãos sofreram detenções arbitrárias, torturas do sono, físicas e psicológicas. Dois presos foram assassinados: Joaquim Lemos de Oliveira e Manuel da Silva Júnior. Rosa Casaco, chefe de brigada que matou o General Humberto Delgado foi o último director.

A partir da década de 80, encetaram-se diligências visando proceder à identificação e classificação do edifício para que fosse considerado de interesse público. Após repetidas petições, intervenções públicas e diversas sensibilizações, o Governo Civil no 30º aniversário do 25 de Abril (2004) acedeu em colocar uma lápide onde se lê: "Homenagem do Povo do Porto aos Democratas e Antifascistas que neste edifício foram humilhados e torturados".

Para a União de Resistentes Antifascistas (URAP) a lápide parece-lhe pouco e tem envidado todos os esforços para que o edifício do Heroísmo, como é conhecido, seja classificado como memória da resistência e da luta antifascista, mesmo depois deste ter passado para o Ministério do Exército que, em 1977, após a demolição de parte das instalações - celas e outros equipamentos de apoio à acção da PIDE - aí instalou o Museu Militar do Porto.

Todos os anos, desde 2008, a URAP solicita à Direcção do Museu Militar do Porto para utilizar o espaço, nomeadamente para exposições temporárias e temáticas e iniciativas sobre a luta antifascista , bem como a possibilidade de se estabelecer um percurso de memórias da prisão política.

Em 2009, a URAP apresenta um projecto global de recuperação da memória e salvaguarda do património, através de uma exposição permanente, designado por "DO HEROISMO À FIRMEZA – Percurso na memória da casa da Pide no Porto – 1934-1974 ", da autoria do Arq. Mário Mesquita, assegurando a compatibilidade entre este projecto e o Museu Militar.

Entre 2009 e 2011 houve algumas mudanças, quer a nível da Direcção do Museu Militar do Porto, quer na hierarquia militar. A URAP estabeleceu contacto com os novos responsáveis que mantiveram o seu apoio ao projecto, o qual foi subindo os vários patamares da hierarquia, com vista ao despacho final.

Em 2012, a Direcção do Museu Militar do Porto é de novo substituída, tal como o responsável da Direcção de História e Cultura Militar. Novos contactos com os novos responsáveis são feitos pela URAP, tendo-nos sido informado que o projecto aguardava despacho do novo General do Estado Maior do Exército, a quem foi apresentado pelo novo responsável da Direcção de História e Cultura Militar que, a seu nível, o aprovara.

Em 2013, sem que qualquer despacho tenha chegado ao nosso conhecimento, insistimos, pois já havíamos investido muito trabalho e publicamente tomado o compromisso de o concretizarmos.
Solicitada nova reunião com a Direcção do Museu foi-nos invocado um despacho por si recebido, que reverte todo o processo.

Face ao exposto, pedimos a intervenção dos Grupos Parlamentares da Assembleia da República para análise do problema e para que se seja tomada uma decisão que honre o compromisso assumido e dignifique a memória da resistência e da luta antifascista, a que tantos cidadãos deram o melhor das suas vidas.