40º aniversário do 25 de Abril: psicólogos e militar homenageiam revolução

ispaO papel que os jovens Capitães de Abril e os jovens estudantes e trabalhadores desempenharam no 25 de Abril de 1974 e a importância que a juventude de hoje tem para reverter a situação em que Portugal se encontra foi o tema comum de um debate realizado no Instituto Superior de Psicologia Aplicada – Instituto Universitário (ISPA), em Lisboa.

Sob o lema "40 anos do 25 de Abril: Do passado para o Futuro", os intervenientes no debate, realizado a 10 de Abril ante uma plateia de muitos alunos e professores, foram para além de psicólogos, o membro da Associação 25 de Abril Comandante Almeida Moura e dois dirigentes da União de Resistentes Antifascistas Portugueses – José Pedro Soares e Ivo Serra.


Enquanto o Comandante Almeida Moura centrou-se na partilha do papel e importância das forças militares no 25 de Abril e no contributo fundamental dos militares de Abril no processo revolucionário que marcou o período entre 1974 e 1976, José Pedro Soares partilhou a sua experiência enquanto preso político durante a ditadura, caracterizando, ao mesmo tempo, o Portugal negro que o fascismo amordaçava.

O resistente da URAP destacou também o papel central dos jovens na luta pela liberdade e pela democracia durante o fascismo, salientando a importância dos jovens continuarem hoje a lutar pelos seus direitos, numa altura em que a democracia portuguesa sofre, porventura, o seu mais brutal e violento ataque, desde há 40 anos.

O outro responsável da URAP presente, o jovem psicólogo Ivo Serra, fez referência ao papel dos psicólogos enquanto profissionais e cidadãos na luta por uma sociedade mais justa e mais democrática, salientando os perigos que os ataques à democracia representam em si mesmos e enquanto processo preparatório para governos de carácter fascizante.

Para o psicólogo Camilo Inácio, professor no ISPA, o papel dos comunistas ao longo da ditadura fascista e o papel da luta de classes como motor da História contribuiu em muito para a Revolução de Abril.

O também psicólogo e professor no ISPA José Ornelas referiu as lutas estudantis durante a ditadura, e apresentou alguns exemplos da sua experiência pessoal, não só enquanto democrata durante a ditadura, mas também no período revolucionário após o 25 de Abril.

Por seu lado, Carlos Pratas, ex-professor do ISPA, para além de reforçar o importante papel da juventude, nomeadamente em contexto universitário, na luta contra o fascismo, destacou o profundo sentimento de solidariedade vivido nos dias após a libertação do povo português da longa ditadura que oprimiu o país durante quase meio século.

O professor Victor Cláudio, o último orador e mediador do debate, partilhou a sua experiência pessoal, enquanto adolescente, no período pré-revolucionário e revolucionário, relatando episódios de como um jovem viveu intensamente a liberdade que Abril lhe trouxe e o de fraternidade que experienciou na altura.

Victor Cláudio e os outros participantes identificaram os retrocessos da revolução de Abril desde o 25 de Novembro de 1975, passando por medidas dos sucessivos governos portugueses e analisaram igualmente a situação política de diversos países europeus, onde o fascismo é um perigo eminente, como no caso da Ucrânia.
Ao mesmo tempo, lançaram um apelo aos jovens e à nação em geral para agirem colectivamente para, como em Abril, o povo voltar a ser quem mais ordena.

"Grândola Vila Morena" marcou o fim da sessão depois de serem ouvidas várias canções revolucionárias.