Universidade Popular do Porto inicia curso baseado no "Roteiro" da URAP

UPP roteiro resistencia 3A Universidade Popular do Porto (UPP), com a participação do núcleo do Porto da URAP, está a ministrar um curso, no âmbito das comemorações dos 40 anos de Abril, a partir das "Bases para um Roteiro da Resistência ao Fascismo no Porto /1926/1974)", editado pela URAP.

O curso, com sessões aos sábados de manhã, decorre entre 4 e 25 de Outubro e visa desenvolver projectos que contribuam para dar a conhecer espaços marcantes da luta antifascista na cidade do Porto atingidos pela repressão, revisitar memórias e olhar a cidade como um espaço público de representação da resistência, com os seus locais simbolizados: a toponímia, as delegações das polícias, os tribunais, as cadeias, os bairros, as ilhas, os cinemas, os teatros, entre outros.


A primeira sessão, realizada a 4 de Outubro passado, em sala, foi orientada por Mário Mesquita e Silvestre Lacerda, os responsáveis técnicos do curso. As seguintes sessões realizam-se em percurso pelos locais referenciados no "Roteiro". A do dia 11 teve início na Rua do Heroísmo, junto ao edifício da ex-PIDE, e nela interveio Maria José Ribeiro que, com Luísa Castro, participa no curso e representa o núcleo do Porto da URAP.
As próximas sessões/percurso decorrerão em 18 de Outubro, a partir do edifício do Jornal de Notícias e, em 25, de novo do edifício da ex-PIDE, no Heroísmo, para que sejam percorridos os locais referenciados na parte oriental da cidade.

UPP roteiro resistencia 2Na sessão de apresentação do curso os oradores referiram a ligação do documento da URAP ao projecto "Do Heroísmo à Firmeza", que lhes sugeriu a iniciativa.
Foram vendidos exemplares do "Roteiro" e recolhidas assinaturas para o abaixo-assinado a enviar ao governo e, nomeadamente, ao ministro da Defesa, no qual se reclama a classificação do edifício como memória da resistência e da luta antifascista e a implementação do Projecto atrás citado, já entregue pela URAP, à hierarquia militar em 2009.

A luta pela reclassificação do edifício é antiga e o Projecto "Do Heroísmo à Firmeza" é disso expressão material e continua a ser um objectivo a alcançar. Entre outras acções, a URAP reuniu-se com os Grupos Parlamentares do PEV, BE, PCP, CDS e PSD, a quem apresentou o Projecto, da autoria do arquitecto Mário Mesquita, solicitando a sua intervenção.

Na sequência disso, o PEV endereçou uma pergunta ao Governo e o PCP elaborou um Projecto de Resolução, a ser votado na AR, em que solicita, entre outras coisas, a implementação de um projecto museológico que, sendo compatível com o Museu Militar do Porto que actualmente detém o edifício, permita homenagear os resistentes ao fascismo que ali estiveram detidos e expor documentos relacionados com os mais de 7 600 presos políticos encarcerados entre a década de 30 e o 25 de Abril de 74.

Recentemente, o executivo da Câmara Municipal do Porto, por proposta do vereador da CDU, aprovou por unanimidade uma moção em que é reclamada a classificação do edifício do Heroísmo como memória da resistência ao fascismo.