Porto comemora 25 de Abril e aniversário de Virgínia Moura

porto 25A 2015 8As celebrações do 25 de Abril no Porto pela União de Antifascistas Portugueses tiveram este ano um duplo objectivo: comemorar a Revolução dos Cravos e o centenário do nascimento de Virgínia de Moura, engenheira, antifascista e membro da URAP.

 

 

 

 

 


porto 25A 2015 1Com efeito, a história de Virgínia de Moura confunde-se com a história da luta contra o fascismo e da conquista da liberdade. Nascida em S. Martinho de Conde, Guimarães, a 19 de Julho de 1915, sempre foi considerada uma mulher do Porto pois aqui viveu e lutou a maior parte da sua vida.


Aos dezasseis anos, no Liceu da Póvoa de Varzim, já participava nas lutas e greves estudantis, e aos 18, estudante universitária, pertenceu ao SVI (Socorro Vermelho Internacional) e filiou-se no Partido Comunista Português (PCP).


Virgínia de Moura frequentou a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, tendo sido uma das primeiras mulheres portuguesas a formar-se em Engenharia Civil. Contudo, o governo fascista impediu-a de exercer e viu-se obrigada a dar explicações de Matemática e Física, no seu pequeno escritório, na Praça do Município.


A sua vida foi uma incansável e determinada luta pela liberdade, pela paz, pela democracia, pelos direitos das mulheres e de todos os trabalhadores.


Com o companheiro da sua vida, Lobão Vital, Virgínia de Moura esteve sempre presente nas pequenas e grandes batalhas políticas contra o fascismo e as ditaduras de Salazar e Franco, sendo activamente solidária com os revolucionários espanhóis, perseguidos pelo franquismo, durante a Guerra Civil.


Pertenceu ao MUNAF, ao MUD, ao MND, assim como nas candidaturas à presidência da oposição democrática de Norton de Matos, Rui Luís Gomes, Arlindo Vicente e Humberto Delgado. Foi presa 16 vezes pela polícia política de Salazar e três vezes condenada nos Tribunais Plenários, tendo sido torturada nas prisões fascistas.


Conhecida carinhosamente por "a Senhora Engenheira", as vendedeiras do Mercado do Bolhão fizeram uma greve, em Dezembro de 1949, e em manifestação exigiram publicamente a libertação de Virgínia de Moura, nessa altura presa por pertencer ao MND.


Virgínia de Moura desenvolveu também uma grande actividade intelectual, tendo colaborado em vários jornais e revistas, foi fundadora da revista Sol Nascente, com o pseudónimo de Maria Selma. Foi editora e conferencista com Maria Lamas, Maria Isabel Aboim Inglês e outras e outros democratas.


Após a Revolução, Virgínia de Moura teve uma actividade notável no desmantelamento do regime fascista, na consolidação do processo revolucionário, assim como no reforço da Aliança Povo-MFA.


A 26 de Abril de 1974 estava com o povo da cidade do Porto à porta da sede da PIDE, exigindo a libertação dos presos políticos e a detenção dos pides, o que foi conseguido e anunciado à varanda por ela e pelos militares do MFA.


porto 25A 2015 5Foi junto à sede da ex-PIDE que o núcleo do Porto da URAP, que integrou a Comissão Organizadora das Comemorações Populares do 25 de Abril, iniciou o programa das comemorações com uma visita guiada às instalações do edifício do Heroísmo, seguida de uma Homenagem aos Resistentes.

 

Maria José Ribeiro, da URAP, fez o acompanhamento da visita, tendo distribuído um folheto com um resumo histórico da actividade da PIDE, das condições de vida dos presos políticos e das sevícias praticadas contra eles.

 

porto 25A 2015 7Em seguida, João Fonseca, da URAP, baseou a sua intervenção na vida e obra de Virgínia de Moura antes e depois do 25 de Abril, lembrando que foi membro da Assembleia Municipal de Gondomar e da A. M. do Porto, várias vezes condecorada e agraciada pela presidência da República, tem o seu nome em ruas e escolas de algumas localidades do país.

 

Virgínia de Moura morreu a 19 de Abril de 1998 e o seu funeral constituiu uma grande manifestação de reconhecimento pelo seu percurso de vida, pelo seu papel de lutadora, antifascista e democrata.

 

porto 25A 2015 3Uma coroa de cravos foi colocada na porta do edifício do Heroísmo, tendo os presentes integrado, a partir daí, o Desfile da Liberdade que desceu a Avenida dos Aliados.