Protocolo "Do Heroísmo à Firmeza – percurso na memória da casa da PIDE no Porto, 1930-1974" assinado 3ª feira no Porto

sede pide porto mais cravos sO Museu Militar do Porto, situado na rua do Heroísmo, antiga sede da PIDE/DGS, vai contar com a identificação dos percursos e salas usadas pela instituição durante o fascismo, segundo um Protocolo que vai ser assinado na próxima terça-feira, 1 de Setembro, às 11:00, no Pavilhão de Armas, entre a URAP e a direcção do Museu.

 

Presentes na cerimónia, o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar Branco, o vice-chefe de Estado-Maior do Exército, General Campos Gil, o director do Museu Militar, Coronel Carlos de Oliveira Andrade, e, em representação da URAP, a coordenadora Marília Villaverde Cabral, Maria José Ribeiro do núcleo do Porto e Celestina Leão, entre outras individualidades.

 

A assinatura deste Protocolo, "Do Heroísmo à Firmeza – percurso na memória da casa da PIDE no Porto, 1930-1974", culmina mais de 10 anos de luta da URAP para preservar a memória das centenas de presos que passaram pela cadeia do Porto e que, para além da privação da liberdade por delito de opinião, foram vítimas de tortura e até da morte.

 

Esta concretização deveu-se à aprovação pela Assembleia da República, dia 3 de Julho, de dois Projectos de Resolução, da autoria do PCP e do BE, que recomendavam ao governo "a implementação de um projecto museológico, que mantendo o actual, permita no Museu Militar do Porto homenagear os resistentes ao fascismo, identificar os percursos e os espaços usados pela PIDE e expor documentos relacionados com os presos políticos e a resistência ao fascismo".

 

Em Abril de 2004, o Governo Civil do Porto já tinha colocado numa das paredes exteriores do edifício do Heroísmo uma placa com a seguinte inscrição: "Homenagem do Povo do Porto - Aos Democratas e Antifascistas que neste edifício foram humilhados e torturados pela PIDE-DGS".

 

A URAP vai agora trabalhar, em estreita colaboração com a direcção do Museu Militar, na execução do projecto elaborado em 2009 pelo arquitecto Mário Mesquita, que não colidindo com as exposições existentes no Museu Militar prevê não só a criação de um percurso expositivo, mas o recurso a fontes documentais (normas de serviços, entrevistas a presos políticos, registo geral dos presos, bibliografias com memórias, fotografias, e entre outros gravações áudio e vídeo).

 

O edifício do Heroísmo era uma habitação datada de finais do século XIX pertencente a D. Maria Coimbra. Albergou freiras espanholas durante a Guerra Civil de Espanha e em 1936 o Estado alugou o imóvel para instalar a PIDE/DGS. Em 1948, o Estado acabou por adquirir o edifício a D. Ismênia Aurora Pinto Coimbra, por 450 contos.