Assinado Protocolo entre Museu Militar do Porto e URAP

DSC 7634Com a presença do ministro da Defesa Nacional, do vice-chefe do Estado Maior do Exército, do presidente da Assembleia Municipal do Porto, do director da Direcção de História e Cultura Militar, do director do Museu Militar do Porto e da coordenadora da URAP decorreu, dia 1 de Setembro, no Museu Militar, a cerimónia da assinatura do Protocolo entre a URAP e o Exército Português visando a implementação do Projecto "Do Heroísmo à Firmeza – Percurso na memória da casa da Pide, no Porto (1934-1974)".


IMG 20150901 120731986Em nome da URAP interveio Maria José Ribeiro, da direcção da URAP no Porto, que lembrou que nas instalações em que se encontravam, que pertenceram à PIDE/DGS, na Rua do Heroísmo, "mais de 7600 cidadãos sofreram detenções arbitrárias, humilhações, torturas do sono e da estátua, agressões físicas e psicológicas. Dois presos foram assassinados – Joaquim Lemos de Oliveira, barbeiro, de Fafe, e Manuel da Silva Júnior, operário de Viana do Castelo", disse.


IMG 20150901 115353374Depois de relatar o conjunto de diligências levado a cabo pela URAP para que o projecto fosse aprovado, a dirigente da URAP realçou o trabalho do arquitecto Mário Mesquita, que elaborou um estudo em 2009, no qual prevê não só a criação de um percurso expositivo, mas o recurso a fontes documentais (normas de serviços, entrevistas a presos políticos, registo geral dos presos, bibliografias com memórias, fotografias, e entre outros gravações áudio e vídeo), sem colidir com as exposições existentes no Museu Militar.


11986537 385322318331747 8257406593742812521 n"Generosamente, o arquitecto e investigador Mário Mesquita, docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, decidiu dar forma e conteúdo a este anseio, elaborando um projecto, com suporte orçamental, que designou como "Do Heroísmo à Firmeza – Percurso na memória da casa da Pide no Porto", (...) que aponta para o estabelecimento de parcerias, tendo desde logo merecido a adesão da Direcção-Geral de Arquivos (Torre do Tombo) aqui representada pelo seu director, Dr. Silvestre Lacerda".


Após agradecer aos 4.000 cidadãos que apresentaram em Abril uma petição à Assembleia da República, à Comissão de Defesa Nacional da AR e aos Grupos Parlamentares por terem desbloqueado a situação em 3 de Julho, a oradora contou que "foi durante o debate (na AR) que foi anunciado o acordo/resposta (...) que, na véspera, havia sido dado pelo Senhor ministro da Defesa Nacional".


O documento ministerial estabelece que vai "ser reconsiderada a oportunidade de dotar a Cidade e o Norte de um memorial que levante do esquecimento milhares de vítimas do fascismo".
Acrescentando que "a dignidade portuense e nacional, o respeito por tantos Mártires da Liberdade do Século XX, a imagem de uma democracia de verdade, exigem esse Tributo!"
"Foi a junção de todas essas vontades que criou as condições para hoje estarmos, aqui, na casa que foi da PIDE, a celebrar em Liberdade este protocolo que a todos dignifica", sublinhou a oradora.


Por seu lado, o ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar Branco, que presidiu à cerimónia, assinalou a importância de não esquecer que houve no passado quem tenha lutado pela "simples liberdade de pensamento, liberdade de expressão" e que essa realidade deve ser "regada todos os dias".
"A democracia exige um trabalho diário e uma luta constante", declarou o ministro da Defesa Nacional.


O protocolo foi assinado perante ampla assistência na Sala de Armas do Museu Militar do Porto pelo director do Museu Militar, Coronel Carlos de Oliveira Andrade, e por Maria José Ribeiro, em representação da URAP.

 

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