Homenagem aos presos políticos em Angra do Heroísmo

DSC02586A cidade açoriana de Angra do Heroísmo conta agora com uma lápide que assinala a presença de presos políticos no Forte de S. João Baptista durante a ditadura fascista quer para ali cumprirem pena, quer em trânsito para o Campo de Concentração do Tarrafal.


A lápide, coberta com a bandeira da URAP, foi descerrada, dia 17 de Setembro, na parede de uma instalação camarária junto a um parque, na estrada que dá acesso ao Forte, pelo presidente da Câmara de Angra do Heroísmo e pela coordenadora da URAP.

 

DSC02588Depois de agradecer ao Engenheiro Álamo de Menezes, presidente da Câmara, ter tornado possível aquela homenagem "para que não caia no esquecimento a coragem e o sofrimento que as paredes e as muralhas do Forte encerram", Marília Villaverde Cabral lembrou apelos que os presos fizeram na ocasião: "Estamos incomunicáveis há um ano. Fomos submetidos aos maiores vexames e insultos. Não há higiene e a comida é intragável".

 

 

DSC02590"Toda a correspondência é violada e, quando protestamos, como aconteceu há meses, sufocaram-nos com um feroz espancamento e com o envio de vários de nós durante cerca de duas semanas para a ´Poterna´", lamentavam ainda, chamando os antifascistas a lutar por uma amnistia.

 

 

 

 

 

 

DSC02596A coordenadora da URAP, que era acompanhada por uma delegação de 15 pessoas, sublinhou perante os presentes a importância de ali estarem. "O seu sacrifício não foi em vão. Comprometemo-nos a divulgar a sua luta nas escolas, para que as novas gerações saibam que no nosso país houve jovens, como eles, que lutaram pela liberdade e por um mundo mais justo".

 

 

 

DSC03794A Fortaleza de São João Baptista, freguesia da Sé, Angra do Heroísmo, encontra-se na costa sul da ilha Terceira. Começou a ser construída em 1593, em pleno domínio espanhol (Dinastia Filipina), e foi inaugurada em 1640. Serviu como protecção costeira de piratas e corsários, aquartelamento de tropas espanholas e rota de comércio transcontinental. No século XX, durante a I Guerra Mundial, as dependências do forte foram utilizadas, entre 1916 e 1919, como "Depósito de Concentrados" de súbditos alemães obrigados a permanecer em Portugal. Já no período do Estado Novo foi prisão política: em 1933, presídio militar, e em 1943, "Depósito de Presos de Angra".

 

Após a cerimónia, a delegação da URAP subiu a estrada até ao Forte, onde era aguardada pelo tenente-coronel Silveira, que guiou a visita. A antiga "Poterna" ou "Calejão", local húmido e hostil, conserva ainda gravado na pedra nomes como Bento Gonçalves, Sérgio Vilarigues e outros.


Frente ao Forte de S. João Baptista encontra-se um segundo edifício mais pequeno, o Forte de S. Sebastião, chamado "O Castelinho", agora Pousada do grupo Pestana, praticamente desconhecido como prisão política.


A URAP vai investigar a presença de presos políticos neste Forte e dedicar-se ao levantamento do nome dos presos que estiveram em Angra, trabalho que já realizou no Forte de Peniche e na cadeia do Porto.


A deslocação aos Açores, que terminou a 21 de Setembro, foi composta também por uma parte lúdica com uma ida ao centro da cidade de Angra, Património Mundial da UNESCO, onde se visitaram alguns monumentos, nomeadamente o Convento da Esperança, o edifício da Câmara Municipal, a Igreja da Misericórdia e o Jardim Duque da Terceira.
De realçar ainda a visita à cratera do vulcão, em Algar do Carvão, à Cidade Praia da Vitória, à Lagoa do Negro, a Vila Nova e às Lages.


Na Ilha de S. Miguel, destacam-se a extraordinária beleza natural da Lagoa do Fogo e da Lagoa das Furnas, o Parque Terra Nostra, a Ribeira Grande e a sua arquitectura barroca dos séculos XVII e XVIII, passando por Vila Franca do Campo, que foi a primeira capital da Ilha.


A Lagoa das Sete Cidades, no fundo da enorme cratera vulcânica, vários miradouros com deslumbrantes paisagens na Ilha de S. Miguel e plantações de chá e de ananases foram apreciados pelos elementos da viagem organizada pela URAP.