URAP homenageou tarrafalistas

tarrafalistas2016 2"Regressamos hoje de novo a este local de memória no Cemitério do Alto de São João, para lembrar e homenagear os resistentes que há 80 anos, desterrados, inauguraram o Campo de sufocação e martírio do Tarrafal, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, símbolo do terror e da opressão fascista", disse José Pedro Soares, dia 2 de Abril, junto ao Mausoléu dos Tarrafalistas.


O membro do Conselho Directivo da URAP lembrou perante largas dezenas de pessoas a importância de não deixar esquecer os presos no Campo de Concentração do Tarrafal, heróis da resistência ao fascismo, "sobretudo junto dos mais novos", 32 dos quais estão sepultados naquele local.

 


"Foi no dia 29 de Outubro de 1936 que desembarcaram no Tarrafal, "Campo da Morte Lenta", como ficou conhecido, os primeiros 150 presos, resistentes antifascistas. Mais tarde outros grupos foram chegando", relatou, lembrando a célebre frase do director do campo: "Quem entra naquele portão perde todos os direitos e só tem deveres a cumprir".
José Pedro Soares falou das terríveis condições do campo e da vida dos prisioneiros e referiu "as provocações e castigos (...), muitos cumpridos na célebre "frigideira", pequeno bloco de tijolo e cimento, que tornava a sua ocupação insuportável quando o sol atingia a sua maior expressão e parecia que tudo queimava".


"O Tarrafal foi assim o local para onde foram enviados muitos dos que não se renderam ao fascismo. Inicialmente destinado a presos portugueses, mais tarde, a partir de 1964, passou a receber os africanos das ex-colónias, nossos irmãos de combate na luta comum contra o fascismo e o colonialismo, o regime opressor derrubado com o memorável levantamento militar dos jovens capitães em 25 de Abril de 1974", disse.


Depois de considerar que "o Campo do Tarrafal foi uma vergonha humana, que a história regista como o momento mais sombrio protagonizado pelo poder político e económico instalado com o golpe fascista de 1926", o dirigente da URAP lembrou a situação existente do Mundo de hoje onde existem "as guerras, as deslocações de populações, as fomes, o desrespeito pelos direitos nacionais e os atropelos aos direitos humanos, e a corrupção de alguns, bem instalados, continua a conviver com a miséria da maioria da população", para apelar à "continuação da luta por um mundo melhor".

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tarrafalistas2016 4A cerimónia, que a URAP leva a cabo anualmente, foi apresentada por Olga Macedo, do Conselho Directivo da URAP, que agradeceu a presença de todos, incluindo as organizações ali representadas (Associação Intervenção Democrática, Associação Conquistas da Revolução e Juventude Comunista Portuguesa), e o apoio logístico da Voz do Operário e da União dos Sindicatos de Lisboa.



tarrafalistas2016 3Fernando Tavares Marques disse alguns poemas sobre Liberdade e o Tarrafal, dois dos quais – "Já Ouviste Falar do Tarrafal" e a "Máquina do Futuro" – da sua autoria.








tarrafalistas2016 5O momento musical esteve a cargo de Vanessa Borges (voz e guitarra), que cantou "Os Vampiros" e "Que Força é Essa", de Zeca Afonso e Sérgio Godinho, respectivamente, terminando com o Hino de Caxias cuja letra e música é da autoria colectiva dos presos políticos em Caxias.