Núcleo da URAP de Santa Iria de Azóia no Teatro de Almada

o feio TMJBIr ao teatro de Almada e ver a peça "O Feio", do alemão Marius von Mayenburg, foi o programa escolhido em 9 de Outubro por 54 sócios e amigos do núcleo da URAP de Santa Iria de Azóia.

 

Esta opção, integrada nos passeios culturais que o núcleo organiza regularmente, visou proporcionar o acesso a uma peça teatral na qual se espelham as tensões e contradições entre o indivíduo e a sociedade.

 

Na peça em questão, o actor principal, um inventor ao serviço de uma multinacional, vê-se impedido de ir a um congresso apresentar a sua obra por ser demasiado feio, característica que a mulher confirma. Resolve, então, recorrer a uma cirurgia plástica.

 

Contente com o resultado, o cirurgião começa, em série, a criar duplos dele, fazendo com que o seu valor comercial caia catastroficamente. Enquanto isso, a mulher, confundida, vai para a cama com uma quantidade considerável de sósias do seu marido.

 

Já Gil Vicente (1465 -1536) defendia que era por meio do humor que se podia corrigir os costumes e denunciar a hipocrisia da sociedade.

"Rindo, castigam-se os costumes", dizia o dramaturgo, e assim as obras vicentinas satirizaram o povo, o clero e a nobreza, continuando atemporais e com problemáticas pertinentes nas sociedades contemporâneas.


Gil Vicente foi o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.

 

Para Paulo Freire (1921-1997), educador, pedagogo e filósofo brasileiro, considerado um dos pensadores mais notáveis da história da Pedagogia mundial, a questão da educação (em que se inclui o teatro) pauta-se na cultura popular como elemento fundamental para emancipação da classe trabalhadora.

 

Vivian Martínez Tabares (1956), crítica, investigadora teatral, editora e professora cubana, afirma que o teatro, nas suas múltiplas formas de expressão, tem mantido diálogo com a vida cultural, social e política.


Para Tabares, o teatro, pela sua própria natureza, toma como centro as tensões e contradições entre indivíduo e sociedade, absorve os principais conflitos do ser humano em busca da felicidade, inserido nas contingências da realidade. Não é uma criação complacente, mas uma arte que, não sem problemas e com aguda perspectiva crítica, permite reflectir sobre quem somos e como vivemos.