Na morte de Mário Soares

mario soaresFundador do Partido Socialista, lutador contra a ditadura desde a juventude, Presidente da República e ministro do Portugal democrático, Mário Soares morreu dia 7 de Janeiro, em Lisboa, aos 92 anos.


Figura controversa teve um papel preponderante no 25 de Novembro de 1975.


Mário Soares, nasceu em Lisboa, em 7 de Dezembro de 1924. Durante o fascismo e ainda estudante, pertenceu ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista), em Maio de 1943, quando pertencia ao Partido Comunista Português. Foi membro da Comissão Central do MUD (Movimento de Unidade Democrática), tendo sido fundador do MUD Juvenil e membro da primeira Comissão Central.

 

Foi Secretário da Comissão Central da Candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, em 1949. Integrou o Directório Democrático-Social (1955). Em 1958, pertenceu à Comissão da Candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República.


Foi candidato a deputado pela Oposição Democrática em 1965 e pela CEUD, em 1969.


Em resultado da sua actividade política contra a ditadura foi 12 vezes preso pela PIDE e deportado sem julgamento para a ilha de S. Tomé (África) em 1968 e, em 1970, forçado ao exílio em França.


Em 1973, no Congresso realizado na Alemanha, a Acção Socialista Portuguesa, que fundara com Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, em 1964, transformou-se em Partido Socialista, do qual Mário Soares foi eleito secretário-geral.


Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1957. Como advogado foi defensor de presos políticos em numerosos julgamentos, realizados em condições trágicas, no Tribunal Plenário e no Tribunal Militar Especial.


Em 25 de Abril de 1974, Mário Soares estava no exílio em França, de onde regressou a Portugal no dia 28, com a sua mulher Maria de Jesus Barroso e outros antifascistas.


Participou nos I, II e III Governos Provisórios, como Ministro dos Negócios Estrangeiros, e no IV, como Ministro sem Pasta.


Como Secretário-Geral do PS participou em todas as campanhas eleitorais, tendo sido deputado por Lisboa em todas as legislaturas, até 1986. Em consequência da vitória do PS nas primeiras eleições legislativas realizadas em 1976, foi nomeado primeiro-ministro do I Governo Constitucional (1976-77), tendo também presidido ao II (1978). Foi membro do primeiro Conselho de Estado, lugar que ocupou até hoje.


Mário Soares foi nomeado primeiro-ministro do IX Governo Constitucional, com base numa coligação partidária PS/PSD (1983-85) que ultimou o processo de adesão de Portugal à CEE, conduziu as últimas negociações e assinou o Tratado de Adesão, em Junho de 1985.


Mário Soares candidatou-se às eleições presidenciais, previstas para Janeiro de 1986. Teve o apoio de independentes e do PS (na 1ª volta) e de toda a esquerda (na 2ª volta), tendo sido eleito em 16 de Fevereiro, por cinco anos. Foi o primeiro Presidente civil eleito directamente pelo povo, na história portuguesa. Renunciou então aos seus cargos de secretário-geral do PS e de deputado.
Em 13 de Janeiro de 1991 foi reeleito Presidente da República, logo à 1ª volta, tendo terminado o seu segundo mandato em 9 de Março de 1996.


Em 1999 foi eleito Deputado ao Parlamento Europeu.


Em 2006 concorreu, de novo, a Presidente da República, pelo PS, tendo perdido as eleições para Aníbal Cavaco Silva.


A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) apresenta à sua família as suas mais sentidas condolências.