Na morte de Mário Ruivo

Mario RuivoMário Ruivo, cientista e político especialista na defesa dos oceanos e do ambiente em Portugal, morreu dia 25 de Janeiro, em Lisboa, aos 89 anos.

 

Resistente antifascista desde a juventude, militou no MUD Juvenil e esteve ligado à Frente Patriótica de Libertação Nacional, integrou depois de 1974 a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP).


Impedido pelo governo fascista de leccionar em Portugal, Mário Ruivo foi exilado político em Roma a partir de 1961, militou nas organizações da oposição e ajudou muitos antifascistas, e só regressou a Portugal em 1974.


Mário Ruivo foi um cidadão empenhado na Revolução de Abril. Desempenhou as funções de ministro dos Negócios Estrangeiros do 5º Governo Provisório, secretário de Estado das Pescas, diretor-geral dos Recursos Aquáticos e Ambiente do Ministério da Agricultura e Pescas.


Esteve sempre presente nas manifestações unitárias contra a deriva da direita em Portugal, nomeadamente contra a troika.


Biólogo formado pela Universidade de Lisboa, Mário Ruivo especializou-se em Oceanografia Biológica e Gestão dos Recursos Vivos na Universidade de Paris – Sorbonne.


Mário Ruivo foi presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável, presidente do Comité para a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO e presidente da Comissão Nacional para o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO).


Entre 1995 e 1998 foi coordenador da comissão mundial independente para os oceanos e ainda conselheiro científico da Expo'98.


Actualmente, era o presidente do comité português da COI, organismo criado em 1960 (em Paris) e de que foi seu secretário-geral entre 1980 e 1989. Era também até agora o presidente do Fórum Permanente para os Assuntos do Mar e o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. Era igualmente membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra.


A URAP envia as suas mais sentidas condolências à família de Mário Ruivo.