Na morte de Georgette Ferreira

Georgette FerreiraUm dos grandes símbolos da resistência antifascista, Georgette Oliveira Ferreira, a primeira mulher a evadir-se de uma prisão política, morreu dia 3 de Fevereiro em Lisboa.

 

O corpo de Georgette Ferreira estará na Igreja de S. João de Deus, na Praça de Londres, a partir das 16:30 de hoje, e o funeral realiza-se amanhã, dia 5, pelas 15:15 para o cemitério do Alto de S. João.

 

Mulher corajosa, combativa, firme na luta pelos seus ideais, nasceu em Alhandra, em 1925. Filha de trabalhadores rurais pobres trabalhou na agricultura, primeiro, e foi operária têxtil, em seguida.

 

Tal como as irmãs Sofia e Mercedes Ferreira, desde muito nova se evidenciou como militante e, posteriormente, dirigente do Partido Comunista Português, ao qual aderiu na década de 40, quando era operária têxtil.

 

O seu relacionamento com Alves Redol, Carlos Pato e Soeiro Pereira Gomes, entre outros nomes locais, muito contribuíram para a sua formação política. Interveio, em 1943, na luta pela criação de uma secção do Sindicato das Costureiras em Vila Franca.

 

No ano seguinte, foi uma das organizadoras em Alhandra e Vila Franca de Xira das greves de 8 e 9 de Maio de 1944 e da marcha do dia 8, que culminou com a prisão de várias mulheres nas Praças de Touros de Vila Franca de Xira e do Campo Pequeno, tendo algumas sido remetidas no dia 11, para a cadeia de Caxias, onde permaneceram até Agosto.

 

Em 1945 passou à clandestinidade e, em 1946, participou no II Congresso Ilegal do PCP realizado na Lousã e foi detida pela PIDE em Dezembro de 1949, com António Dias Lourenço [1915-2010], na casa de Monte de Moraventos, concelho de Palmela.

 

Durante a prisão em Caxias e em resultado de uma grave doença de estômago foi internada no Hospital de Santo António dos Capuchos de onde se evadiu em 4 de Outubro de 1950. Regressou à clandestinidade e passou a integrar o Comité Local do Porto e, posteriormente, teve responsabilidades na organização de Lisboa do PCP.

 

Presa de novo, em Dezembro de 1954, foi condenada, em 1957, a três anos e medidas de segurança, o que gerou um enorme movimento de solidariedade nacional e internacional para que as cumprisse em liberdade.


Libertada somente em 1959, partiu clandestinamente para a Checoslováquia, onde curou a sua doença pulmonar, percorrendo vários sanatórios até 1962.

 

A partir de 1963, viveu em Paris, onde exerceu actividade política, durante quase três anos, e regressou à luta clandestina em Portugal, encontrando-se na região de Setúbal quando do 25 de Abril de 1974.

 

Após a revolução, foi deputada do PCP na Assembleia da República.

 

Entre 1953 e 1988 fez parte do Comité Central do PCP. Foi membro activo da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses.

 

A URAP apresenta os seus sentidos pêsames ao PCP e à família de Georgette Ferreira.