Na morte de Sisaltina Santos

sisaltina santosSisaltina Maria dos Santos, militante antifascista na clandestinidade e ex-presa política, que dedicou a sua vida à luta contra o fascismo, pela liberdade e a democracia, morreu dia 7 de Maio, aos 91 anos.


Militante comunista, passou 27 anos na clandestinidade e um ano na prisão de Caxias. Sisaltina foi companheira de vida e de luta de Américo Leal, membro do Conselho Directivo da URAP, figura emblemática da resistência, natural de Sines, que quis ser voluntário na II Guerra Mundial, o que lhe valeu a prisão e a clandestinidade.


Costureira de profissão, filha de pai pescador e pequeno comerciante e mãe doméstica, foi com 21 anos de idade, em 1947, que ingressou na vida clandestina com o seu companheiro e com o filho mais velho.

 

Sisaltina e Américo tiveram dois filhos. Viveram o drama dos casais clandestinos: um foi para a clandestinidade com eles, aos dois anos, e depois, para poder estudar, veio a ser criado pelos tios. O outro foi enviado para Moscovo aos sete anos e só regressou após o 25 de Abril, casado e com um filho, facto que os pais desconheciam.


Presa na Covilhã, em 1958, Sisaltina estaria um ano na prisão de Caxias, e mais uns meses em casa dos pais até que se pôde juntar ao marido que se encontrava na clandestinidade.


Numa entrevista à imprensa, Sisaltina reconheceu que "a clandestinidade era dura, rigorosa e nem todos os camaradas conseguiram resistir, contudo a parte mais dura é a separação dos filhos e da família". Mas "quando voltei a minha mãe recebeu-me assim 'senta aqui, filha'. Abriu-me o colo. Ela também sentiu a dor de tantos anos", contou Cesaltina, que chegou ao pé da mãe já na casa dos quarenta.


Para concluir: "Eu não faço nada sem ele. (...) Valeu a pena porque sempre gostei deste homem. Foi atrás dele que eu fui. Nunca houve outro que gostasse. Só gostei deste. É ou não é? Amor que pica sempre fica".
Separaram-se agora.