Lembrar Guernica no Parlamento Europeu

p europeu guernica truth justice reparation 2sA coordenadora da URAP foi convidada por um grupo de deputados bascos do Parlamento Europeu para participar em Bruxelas, dia 26 de Abril, na conferência "Cidades e Nações para Lembrar", para assinalar o 80º aniversário do bombardeamento de Guernica.


Marília Villaverde Cabral sublinhou, na ocasião, a importância da evocação do bombardeamento de "uma cidade e um povo completamente indefesos", lembrando que "durante o fascismo em Portugal, mentiu-se muito sobre a Guerra de Espanha e deturparam-se as suas causas".


p europeu guernica truth justice reparation 1s"A URAP tem levado a efeito sessões sobre a Guerra de Espanha e vamos continuar a organizar. Porque consideramos ser importante denunciar a passividade dos governos de França e Inglaterra, perante a ofensiva nazi a um governo legítimo e celebrar a heroicidade dos povos de Espanha na luta pela liberdade", disse.


Depois de sublinhar que "é um dever levar às escolas, às novas gerações, o que se passou nesses tempos em que jovens de todo Mundo deixaram as suas terras, as suas famílias para ajudar a República de Espanha", a coordenadora da URAP lembrou que "milhares de trabalhadores portugueses bateram-se lado a lado com os seus companheiros espanhóis, ou nas fileiras do Exército Republicano ou nas Brigadas Internacionais, tentando salvar a jovem República".


Marília Villaverde Cabral falou da "Revolta dos Marinheiros" de 1936, quando "marinheiros dos navios da Armada Portuguesa, Dão, Bartolomeu Dias e Afonso de Albuquerque, iniciaram uma acção revolucionária, apossando-se desses navios. Estes homens, para além de reivindicações por melhores condições de trabalho, exigiam também a libertação de camaradas presos, por terem sido solidários com a Espanha Republicana".


p europeu guernica truth justice reparation 3s"São eles e os operários da Marinha Grande que formam a primeira leva para o Campo de Concentração do Tarrafal, inspirado nos campos de concentração nazis, situado em Cabo Verde, na ilha de Santiago, a milhares de quilómetros de Portugal, onde perderam a vida 32 antifascistas", afirmou.


Depois de confirmar que a URAP é uma organização que luta contra o branqueamento do fascismo, lembrou a recente luta dos antifascistas portugueses para fazer da antiga cadeia de Peniche um museu da resistência, contrariando uma primeira resolução governamental que visava transformar a fortaleza numa unidade hoteleira.


"Após a Guerra de Espanha que, como é conhecido, foi um teste do nazismo para a II Guerra Mundial, Salazar afirmando-se neutral apoiou sempre os fascistas. Reafirmava a aliança com Inglaterra, mas são conhecidos contactos com os nazis, o envio de toneladas de volfrâmio. Lisboa era um verdadeiro centro de espionagem ao serviço de Hitler", disse.


"Entretanto, o povo português vivia a fome mais negra, o racionamento, as longas bichas de espera para adquirir, por vezes, um pouco de pão. Porém, o Povo não baixou os braços. A partir de 1941 rebentam, em várias zonas do país, importantes lutas de massas, contra o racionamento de produtos de grande necessidade e contra o congelamento dos salários", afirmou.


A coordenadora da URAP lembrou a revolução do 25 de Abril de 1974 em Portugal, após quase meio século de fascismo, para concluir dizendo que "nestes últimos anos muita coisa mudou, muitas das principais conquistas da nossa Revolução foram destruídas, mas elas foram tão profundas que continuam presentes nas nossas vidas e são referências essenciais na luta que travamos hoje".


No dia 26 de Abril de 1937, a cidade basca de Guernica foi destruída por aviões nazi-fascistas que testavam seus novos equipamentos. Profundamente comovido pelas fotografias que estampavam esse horror, o pintor Pablo Picasso criou um painel a óleo, de 350 por 776 cm, que traduzia a sua repulsa à guerra e a esperança na paz e no progresso, para figurar na Exposição Internacional de Paris.


A cidade de Guernica era pequena, mas amplamente simbólica para o povo basco. O ataque matou cerca de 200 pessoas, mas o número de vítimas mortas pode ser superior a mil. Guernica tinha apenas 6 mil habitantes na época.


Conta-se que durante a ocupação da França pelos nazis, na II Guerra, um oficial alemão, diante de uma cópia do painel, teria perguntado a Picasso se foi ele que fez o famoso painel, no que rapidamente este respondeu: "não, foram vocês!".