Aniversário da URAP comemorado em Lisboa com almoço

almoco aniversario urap 2017 3s"O tempo em que vivemos, a situação política actual têm demonstrado que a URAP faz falta, que precisamos de nos esforçar ainda mais para lutar contra o esquecimento do que foi o fascismo e do que foi a Resistência e ganharmos a juventude para as causas da solidariedade internacional e da paz", afirmou Marília Villaverde Cabral no almoço de aniversário da URAP, dia 6 de Abril, em Lisboa.


O convívio foi organizado para assinalar os 41 anos da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) - fundada a 30 de Abril de 1976 -, que reuniu nas suas fileiras um largo núcleo de antifascistas que combateu durante a ditadura fascista.

 

Estes antifascistas tinham pertencido, em grande parte, à Comissão de Socorro aos Presos Políticos, criada durante a ditadura, que com grande coragem afrontava o regime no coração da sua política repressiva. Prestava apoio material e jurídico aos presos políticos e às suas famílias, divulgava no país e no estrangeiro notícias sobre a situação dos presos e de denúncia da repressão, correndo os riscos inerentes a esta actividade.

Ialmoco aniversario urap 2017 2sAs cerca de 40 pessoas presentes, entre as quais diversos ex-presos políticos, valorizaram o trabalho da URAP, referindo-se nomeadamente à publicação recente do livro "Forte de Peniche – Memória, Resistência e Luta", com o apoio da Fundação José Saramago.

 

O dirigente da URAP Diamantino Torres enalteceu, em particular, a pessoa e o papel do antigo coordenador da URAP Aurélio Santos, perante um grande aplauso de todos os presentes. Enquanto Marília Villaverde Cabral afirmou que o almoço se destinava também a festejar o aniversário de uma grande obreira de todos os dias da URAP, Encarnação Raminhos, que numa feliz coincidência nasceu num 27 de Abril.


A coordenadora da URAP destacou a actividade que a organização levou a cabo nestes primeiros meses do ano, nomeadamente, a continuação da luta pelo Forte de Peniche, como Museu da Memória e Resistência; as comemorações do 25 de Abril; a festa do1ª de Maio na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, onde a URAP teve uma tenda para distribuição de documentos e venda do livro sobre Peniche, conseguindo vender 300 exemplares.

 

almoco aniversario urap 2017 1sA URAP organizou igualmente sessões sobre a Guerra Civil de Espanha, na Biblioteca Museu República e Resistência, e também no Espaço Memória, no Barreiro; e no plano internacional deslocou-se a Bruxelas, a convite dos companheiros Bascos no Parlamento Europeu, onde falou sobre os 80 anos dos bombardeamentos à cidade mártir de Guernica.


Depois de anunciar algumas das iniciativas previstas até ao fim do ano, como a visita guiada por Maria José Ribeiro, ex-presa política, à antiga cadeia do Porto, onde mais de 7.000 antifascistas estiveram presos e foram torturados, Marília Villaverde Cabral terminou afirmando que "os povos (...) lutam pela sua independência. E, como sempre, mesmo que leve tempo, serão sempre os povos a terem a última palavra".