Na morte de Miguel Urbano Rodrigues

miguel urbano rodriguesO jornalista, escritor, historiador, ensaísta e militante comunista Miguel Urbano Rodrigues morreu dia 27 de Maio, no Porto, aos 91 anos.


Licenciado em Letras, foi redactor do "Diário de Notícias" (1949/56), chefe de redacção do "Diário Ilustrado" (1956/57), editorialista principal de "O Estado de S. Paulo" (1957/74), editor internacional da revista brasileira "Visão" (1970/74), chefe de redacção do "Avante!" (1974/75), primeiro director de "O Diário" (1976/85) e, acima de tudo, foi militante comunista - do Partido Comunista Português e do Partido Comunista Brasileiro, em simultâneo, durante grande parte do exílio no país (1957/74).


Um dos jornalistas portugueses mais viajados e com um enorme conhecimento da História mundial e da geoestratégia, Miguel Urbano Rodrigues especializou-se nos países da América Latina, depois de ter abraçado a causa da defesa da Reforma Agrária no pós 25 de Abril.

 

Miguel Urbano Rodrigues nasceu em Moura, em Agosto de 1925, numa família de proprietários rurais abastados, de tradição republicana. Seu pai era o escritor Urbano da Palma Rodrigues, secretário de Afonso Costa, deputado da I República. Era irmão do também escritor Urbano Tavares Rodrigues (1923/2013).


Exilado durante longos anos no Brasil, regressaria em 1974 a Lisboa, onde leccionou História Contemporânea na Faculdade de Letras, foi presidente da Assembleia Municipal de Moura (1977/78), deputado à Assembleia da República, pelo PCP (1990/95), deputado às Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental.


Miguel Urbano Rodrigues foi um apaixonado pela Revolução Cubana, país onde viveu durante oito anos, após o encerramento de "O Diário", voltando em 2002 a Portugal, onde dividiu a sua vida entre Vila Nova de Gaia e Serpa, terra do seu pai, dedicando-se integralmente à escrita.


Às obras iniciais como "O Homem de Negro" (1958) e "Opções da Revolução na América Latina" (1968), suceder-se-iam "Revolução e Vida" (1977), "Polónia e Afeganistão" (1983), "Em Defesa do Socialismo" (1990), os romances "Alva" (2001) e "Etna no Vendaval da Perestoika" (2007), as memórias de "O Tempo e o Espaço em Que Vivi I e II" ou "Meditação descontínua sobre o envelhecimento" (2009).


"O Diário Liberdade", "portal anticapitalista da Galiza e países lusófonos", e ODiário.info, publicação digital de que era co-editor, reúnem os derradeiros textos de Miguel Urbano Rodrigues, nos quais tece análises sobre a actualidade, o marxismo e o "direito de rebelião contra a tirania".