Na morte de Aurélio Santos

Aurelio SantosAurélio Santos, coordenador da URAP entre 2006 e 2013 e actual membro do Conselho Nacional, antifascista desde a juventude que dedicou a vida ao combate pela democracia e membro do Partido Comunista Português, do qual foi dirigente, morreu este Sábado, 30 de Setembro, aos 86 anos.


Esta voz particular da Rádio Portugal Livre – a emissora clandestina do PCP, da qual foi director entre 1963 e 1974, que anunciava aos portugueses diariamente: "aqui Rádio Portugal Livre, uma emissora ao serviço do povo, da democracia e da independência nacional" -, nasceu em Vilar Torpim, foi dirigente estudantil da Faculdade de Medicina de Lisboa e do MUD Juvenil.


Preso em 1953, na sequência da sua militância no Movimento de Unidade Democrática Juvenil, por liderar a delegação portuguesa que participou no III Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, na Roménia (1953). Só seria libertado em 1955, ano em que aderiu ao PCP.


Aurélio Santos regressou do exílio em 1974, vindo da Roménia, e integrou em Lisboa, nesse ano, a Comissão de Programas da RTP, e o Conselho de Imprensa, de 1976 a 1979.


No PCP foi responsável pela Secção de Informação e Propaganda do Comité Central do PCP, de 1976 a 1984; foi membro da DOR Lisboa e do seu Executivo, e responsável pelo Sector de Artes e Letras de 1984 a 1988; membro da Comissão Executiva Nacional de 1990 a 1992 e membro da Comissão Central de Controlo.


Grande impulsionador da União de Resistentes Antifascistas Portugueses, da qual foi membro proeminente até à sua morte, Aurélio Santos foi um homem de rara qualidade humana e de excepcional cultura.


O corpo de Aurélio Monteiro dos Santos esteve em câmara ardente, em Lisboa, na Igreja de S. Francisco de Assis e o funeral realizou-se hoje às 17:00 no cemitério do Alto de S. João com a presença de muitos democratas e antifascistas, entre os quais membros da direcção da URAP e do PCP, e o discurso laudatório foi proferido por Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido.