Assembleia Geral da URAP virada para o futuro

AG URAP 2018 s5A Assembleia-Geral (AG) da URAP realizou-se, dia 24 de Março, na sede da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, em Lisboa, para apreciar e votar o Relatório de Actividades e o Relatório de Contas de 2017, e apresentar o Plano de Actividades para o ano em curso.

 

José Manuel Vargas, da direcção, apresentou o relatório de actividades de 2017, destacando o reforço da URAP com mais 87 novos associados, a recuperação significativa de quotas em atraso e o contacto com sócios mais afastados.
Entre as actividades de maior relevo, Vargas lembrou a inauguração do monumento aos presos políticos de Peniche, onde ocorreram diversas visitas colectivas e sessões, sublinhou as acções em defesa do Forte de Peniche e a criação de um museu da resistência no local.


A edição do livro "Forte de Peniche – Memória, Resistência e Luta", uma iniciativa da URAP, no qual se pode ler a história da fortaleza e dos presos que lá estiveram encarcerados, foi igualmente mencionado, realçando-se o facto de já estar na terceira edição.

 

Coube à coordenadora da URAP apresentar o plano de actividades para 2018, anunciando como primeira grande tarefa a organização pelo núcleo de Aveiro, com o apoio de todas as estruturas centrais, das comemorações do 45º aniversário do III Congresso da Oposição Democrática, em 7 de Abril.


AG URAP 2018 s2"Lembrar o Congresso de Aveiro tem uma grande importância porque se há gerações que o viveram e compreendem o que significou aquela grande Jornada, as novas gerações não têm disso conhecimento. Mas mesmo para nós que o vivemos, em 1973, é importante lembrar e homenagear todos os democratas que, em grande unidade, deram um duro golpe na ditadura fascista. Jornada que teve um papel extremamente importante no caminho que nos levaria ao 25 de Abril", disse.


Marília Villaverde Cabral falou também da elaboração de uma brochura sobre os antifascistas presos em Angra do Heroísmo, nos Fortes de S. João Baptista e S. Sebastião (O Castelinho), e a sua apresentação, em colaboração com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, lembrando que haverá uma deslocação aos Açores para homenagear esses lutadores pela liberdade e democracia que sofreram aos mais diversas sevícias.


Depois de um apelo à presença significativa nas manifestações populares do 25 de Abril, a coordenadora falou da importância das sessões nas escolas e colectividades, agradecendo aos oradores e apelando para que o tempo do fascismo não seja esquecido.


O Relatório de Contas de 2017 foi apresentado pelo presidente do Conselho Fiscal, Álvaro Contreiras, que referiu o estofo financeiro com que a URAP termina o ano e valoriza a recolha de fundo pelo núcleo do Porto destinada à implementação do museu da resistência naquela cidade.

AG URAP 2018 s1A Assembleia Geral foi dirigida pelo presidente da mesa, Levy Baptista, que falou sobre a perigosa situação internacional, tema igualmente usado por Marília Villaverde Cabral no discurso de encerramento em que asseverou que "a humanidade precisa de paz e de um desenvolvimento mais harmonioso, mais justo e mais humano, em todo o planeta".


Levy Baptista valorizou o trabalhado da URAP, defendeu que a organização não deve, e não está, só virada para o passado. Considerou ainda que em termos de democracia e liberdade nada está seguro e a liberdade tem de ser defendida no dia-a-dia.

 

César Roussado, da direcção, observou na sua intervenção ser muito importante a existência de núcleos em todo o país e o facto de Lisboa contar com centenas de sócios. Destacou a constituição de um núcleo em Rio de Mouro e a perspectiva de outros em Cascais, Odivelas, Loures e Oeiras. Realçou a importância do Boletim e defendeu que se fizesse chegar a mais pessoas e fosse para além dos sócios. Referiu a homenagem ao trabalhador alentejano a realizar em Maio, associada à visita do núcleo do Porto ao Museu do Aljube.

 

Maria José Ribeiro, responsável pelo núcleo do Porto, fez um apanhado das iniciativas realizadas e a realizar e referiu a importância do registo de depoimentos para a preservação da memória, na medida em que muitos dos protagonistas nos vão deixando. Falou sobre a instalação do projecto museológico "Do Heroísmo à Firmeza" e dos esforços de recolha financeira associados a ela.

 

AG URAP 2018 s4Ana Pato, responsável pelo Boletim, pela página urap.pt e pela página no FB, valorizou a importância do trabalho de informação e a necessidade de articulação com os núcleos para melhor a fazer chegar.

 

José Pedro Soares fez uma resenha sobre o Forte de Peniche, a instalação do museu e o livro. Já foram vendidos 5 500 exemplares de "Forte de Peniche – Memória, Resistência e Luta" e realizadas mais de 20 sessões, plenas de riqueza e diversidade, estando marcadas muitas mais.

 

Vítor Dias interveio para chamar a atenção para a importância da comemoração evocativa do III Congresso de Aveiro, organizada em grande medida pelo núcleo local. Considerou que a cerimónia está a ser concebida com audácia, vai ser acompanhada por uma exposição evocativa e entregue uma placa comemorativa aos participantes ou familiares, caso estes já tenham morrido. Deu elementos históricos sobre o congresso, realizado em 1973.

 

Usaram ainda da palavra Francisco Canelas, Pedro Pinheiro, José Marcelino, Adelaide, Olga Macedo, Diamantino Torres, Mário Araújo, entre outros.

 

Após a votação, por unanimidade, dos documentos apresentados pelas cerca de 60 pessoas presentes vindas de vários pontos do país, algumas muito jovens, seguiu-se um convívio entre os sócios.

 

Intervenção de encerramento, Maríllia Villaverde Cabral
Relatório de Actividades de 2017
Plano de Actividades para 2018