Aniversário da URAP comemorado com almoço em Lisboa

almoco aniversario urap 2018 s2"Hoje é dia de festa, mas não podemos deixar de alertar para os perigos que o mundo atravessa com a acumulação de tensões em várias regiões do Mundo. A URAP tem-se associado a outras organizações pela paz e tem tomado posição sobre vários acontecimentos preocupantes, nomeadamente o ataque à Síria, o massacre do povo palestiniano, a prisão ilegal de Lula da Silva, na sequência de um verdadeiro golpe de estado", disse Marília Villaverde Cabral no almoço de comemoração do aniversário da URAP.


O convívio, que decorreu num restaurante em Lisboa, dia 28 de Abril, festejou os 42 anos da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) - fundada a 30 de Abril de 1976 -, foi aberto por César Roussado, da direcção e reuniu cerca de 70 pessoas.

 

 

 

 

almoco aniversario urap 2018 s1A URAP, que é herdeira da Comissão de Socorro aos Presos Políticos, criada durante a ditadura, que com grande coragem afrontou o regime no coração da sua política repressiva. Prestou apoio material e jurídico aos presos políticos e às suas famílias, divulgou no país e no estrangeiro notícias sobre a situação dos presos e de denúncia da repressão, correndo os riscos inerentes a esta actividade, teve como grande obreiro o actual presidente da Assembleia Geral, Levy Baptista, facto que foi realçado pela coordenadora.

Marília Villaverde Cabral destacou a actividade que a organização tem levado a cabo, lembrando o enorme cortejo fúnebre, de 12 de Fevereiro de 1978, com as urnas de antifascistas mortos no Tarrafal, que hoje se encontram num memorial construído no cemitério do Alto de S. João; e a recolha de 16.000 assinaturas entregues na Assembleia da República que travou a construção de um Museu Salazar, em Santa Comba Dão.

A URAP, que integra a FIR - Federação Internacional de Resistentes, organizou em Setúbal, em Junho de 2018, o encontro internacional "A Democracia face ao branqueamento e reabilitação do Fascismo", com a presença do presidente da FIR, deputados ao Parlamento Europeu do GUEL e de autarcas de Setúbal; e participou nas comemorações do fim da II Guerra Mundial, uma iniciativa da FIR, percorrendo com a Tocha da Paz e da Liberdade muitos pontos do país.

Nos 80 anos da Guerra Civil de Espanha foi lembrada a cidade de Guernica com várias sessões, uma das quais no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a convite de companheiros do País Basco.
No Porto, o núcleo da URAP, depois de uma luta intensa pela assinatura de um protocolo com o Ministério do Exército, está a implementar o projecto museológico "Do Heroísmo à Firmeza", na antiga cadeia da PIDE.
Graças à luta que travámos com todos os democratas que nos acompanharam, o Forte de Peniche não será transformado numa pousada de luxo, mas será um Museu Nacional, um verdadeiro Museu da Resistência e da Liberdade. Enquanto isto o livro sobre Peniche, da autoria da URAP, já vai na 3ª edição.
Em Abril de 2009, uma delegação da URAP visitou o Tarrafal e, a convite do Presidente da República de Cabo Verde, participou num importante Simpósio Internacional; e em Setembro de 2015, em Angra do Heroísmo, Açores, nos Fortes de S. João Baptista e S. Sebastião "O Castelinho", locais de cativeiro de presos políticos.
O convívio com os jovens nas escolas e em associações tem sido uma constante da organização a fim de passar o testemunho às novas gerações, intensificando-se no período do 25de Abril, com inúmeras sessões de esclarecimento.
"Para nós, nem o 25 de Abril nem o 1º. de Maio são efemérides com um ritual saudosista. Esta é a grande diferença entre os que tendo lutado, se acomodaram, e os que tendo lutado, continuam a lutar e não desistem dos seus ideais, mesmo quando o caminho é difícil", disse para terminar a coordenadora da URAP.