URAP Porto evoca tomada da sede da PIDE pelo MFA e comemora aniversário

sessao porto tomada edificio heroismo 28Abril2018 s1No âmbito das comemorações do 25 de Abril de 1974, o núcleo do Porto da URAP organizou uma sessão, dia 28 de Abril, na antiga delegação da PIDE, para evocar a tomada do edifício pelo MFA e comemorar o aniversário da URAP.


Coube a Teresa Lopes abrir a sessão e anunciar o objectivo desta, nomeadamente, a evocação da tomada pelo MFA, dia 26 de Abril de 1974, do edifício que foi sede da polícia política, no Porto, durante 40 anos; a celebração dos 42 anos da fundação da URAP; e informações sobre o desenvolvimento do trabalho pela preservação da memória no actual Museu Militar.

 

 


sessao porto tomada edificio heroismo 28Abril2018 s2Interveio Manuel João Araújo, na época furriel do Exército, com 23 anos, que foi encarregado pelo MFA pela guarda e tratamento da documentação/arquivo/ficheiro da sede, que contou como pôde testemunhar através dos documentos a perseguição e a violência que a PIDE exercia sobre os cidadãos e os presos.


Manuel Araújo recordou ter encontrado a ficha do próprio pai, que também lá tinha estado preso, e falou do seu passado de transmontano, com tudo o que a interioridade comporta, que lhe trouxe consciência social e política das injustiças, e o levou mais tarde a aderir ao MFA.


O então jovem médico Manuel Strecht Monteiro, membro da Comissão Regional de Socorro aos Presos Políticos, relatou como - juntamente com Virgínia Moura, Óscar Lopes, Arnaldo Mesquita, Papiniano Carlos e Olívia de Vasconcelos - entrou em liberdade no edifício.


Strecht Monteiro encontrava-se entre a multidão que tinha acorrido ao Largo Soares dos Reis e artérias circundantes para exigir o fim da PIDE e a libertação dos presos, quando os militares pediram a ajuda de um médico para prestar assistência a um preso que estava com um ataque do foro nervoso.


Em seguida, Maria José Ribeiro falou das razões que levaram à criação da URAP, por vontade de membros da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, entre os quais, Levy Batista, Ruy Luís Gomes, Óscar Lopes, João Faria Borda, Paulo Quintela, Ramon de la Féria, Fernando Piteira Santos, Maria Cecília Areosa Feio, Alcina Bastos, José Maria Rosário Costa, Vasco Belmarço Costa Santos, Duarte Rocha Vidal, que subscreveram a escritura de constituição, e do importante papel que a organização tem tido na denuncia dos crimes do fascismo e na preservação da Memória.


No encerramento da sessão, o Arquitecto Mário Mesquita relatou o que foi feito no sentido de instalar o memorial "Do Heroísmo à Firmeza" naquele mesmo edifício - conforme protocolo firmado entre a URAP e o Exército Português, em Setembro de 2015 -, apelando aos presentes para que dêem o seu contributo para levar até ao fim este enorme empreendimento.