Criado núcleo da URAP Loures/Odivelas

Foto20180515161344324O Museu da Cerâmica, em Sacavém, foi palco no sábado, dia 12 de Maio, da cerimónia de constituição do núcleo de Loures/Odivelas, com a presença da coordenadora da URAP e do presidente da Câmara de Loures.
A URAP optou por ciar um núcleo que integre os agora dois concelhos – Loures e Odivelas - dado que durante o fascismo, e até 1998, estavam agrupados no mesmo concelho, havendo por isso uma prática de luta conjunta dos democratas e resistentes antifascistas.


Marília Villaverde Cabral destacou o trabalho conjunto entre a Câmara de Loures e as escolas do concelho, nomeadamente por altura das celebrações do 25 de Abril de 1974.
"Saúdo a Câmara Municipal de Loures, na pessoa do Sr. presidente, por todo o papel que tem tido na promoção de sessões em escolas, em colaboração com professores, para que as novas gerações conheçam o que foi o fascismo e o que foi a resistência, colmatando uma falha dos compêndios escolares, que cada vez mais branqueiam a ditadura fascista e apagam o passado. E, como disse um historiador ´um povo que não se interessa pela sua história, é um povo sem raízes e sem norte´ ", afirmou.


Foto20180515161343911A coordenadora fez um apanhado da história da URAP e destacou as comemorações dos 70 anos da II Guerra Mundial, referindo-se à passagem da Tocha da Liberdade da FIR por " todas as freguesias do concelho, escolas e colectividades".


Para o presidente da Câmara de Loures, que encerrou a sessão, ´uma Câmara não deve só gerir o financiamento, as obras, os recursos humanos, mas também trabalhar na investigação histórica e criar cultura´. A este propósito falou na importância de se ter feito a Biblioteca Ary dos Santos, em Sacavém, por onde passam milhares de pessoas.


Bernardino Soares chamou a atenção não só para o que não é dito sobre o fascismo e a luta da resistência, mas também para a adulteração daquilo que se passou, congratulou-se com a criação do núcleo e saudou a URAP pelo seu trabalho.


Foto20180515161343006A cerimónia iniciou-se com a passagem de um filme gravado em Peniche num convívio de ex-presos políticos, familiares e amigos, a 29 de Outubro de 2016, destinado a dar força à luta para que o forte não fosse transformado em pousada, mas num museu nacional de resistência.

 

Eduardo Baptista, do núcleo Loures/Odivelas, referiu-se à importância da criação do núcleo e teceu agradecimentos à Câmara, ao presidente e aos serviços, seguido por Félix Pinho, ex preso político, que falou da luta dos trabalhadores antes do 25 de Abril, da criação da CGTP por vários sindicatos e da importância de se falar aos jovens sobre estas lutas.

 

Eduardo Brissos sublinhou todo o trabalho feito em colaboração com a Câmara, destacando a gravação de depoimentos de antifascistas e ex-presos políticos, mas também a recolha de documentos da época para que não se percam factos de grande importância para a história do Concelho.


Fátima Amaral, dirigente sindical, contou a sua experiência de vida de filha de um operário. Muito jovem no 25 de Abril, lembra-se bem da pobreza em que os trabalhadores viviam, do medo que tinham de ser presas e torturadas. Lembrou as cheias de 1967 e as suas consequências para a população mais pobre.


O Museu da Cerâmica, onde se realizou o encontro, é um edifício emblemático construído de raiz em 2000, nos antigos terrenos da Fábrica de Loiça de Sacavém e está situado na urbanização Real Forte. Foi distinguido em 2002 com o Prémio Luigi Micheletti, e dedica-se ao estudo da história e da produção da Fábrica de Loiça de Sacavém e do património industrial do concelho de Loures, desenvolvendo projectos expositivos nesse âmbito.