URAP e Casa do Alentejo homenageiam o Trabalhador Alentejano

homenagem trabalhador alentejano s1O trabalhador alentejano levou a cabo depois de 25 de Abril de 1974 uma revolução dentro da revolução com a intensificação da luta por melhores salários, condições de trabalho e garantia de emprego. Um forte movimento de ocupação de terras, expropriadas ao latifúndio, conduziu à reforma agrária assente em unidades colectivas de produção exploradas por pequenos agricultores e trabalhadores rurais ou cooperativas. Esta realidade não durou muitos anos, a reforma agrária foi destruída e ao Alentejo voltou o desemprego e os milhares de hectares subaproveitados.

 

Foi para homenagear o Trabalhador Alentejano que a Casa do Alentejo e a URAP dedicaram todo o dia 19 de Maio com um almoço e outras actividades em que participaram cerca de 200 democratas e antifascistas.

 

A cerimónia contou também com a assinatura de um protocolo entre a Casa do Alentejo e a URAP, rubricado por João Proença, presidente da Casa do Alentejo, e por Marília Villaverde Cabral, coordenadora da URAP, visando a realização de acções futuras.

 

homenagem trabalhador alentejano s4Os participantes foram recebidos no pátio central de estilo neo-árabe pelo cante alentejano entoado pelo grupo coral "Os Amigos do Barreiro" e por Rosa Calado, vice-presidente da Casa do Alentejo, que deu as boas-vindas. Após o almoço, coube a César Roussado, da direcção da URAP, saudar os presentes em nome da Comissão Organizadora.

 

Os democratas Adelino Pereira da Silva, António Gervásio, Conceição Matos, Domingos Abrantes, Encarnação Raminho, Faustina Barradas, João Queirós e Maria José Ribeiro, presentes na homenagem, foram felicitados com uma emotiva salva de palmas.

 

 

homenagem trabalhador alentejano s3O livro "Forte de Peniche – Memória Resistência e Luta", uma edição da URAP destinada a divulgar a vidas dos presos políticos durante a ditadura, foi apresentado por Vítor Dias e José Pedro Soares.

 

Rosa Calado introduziu a tarde cultural que incluiu a declamação de poemas por Domingos Lobo e Manuel Diogo; a fadista Mira Serrano, de Évora, acompanhada à viola e à guitarra; terminando com o cante alentejano do grupo "Os Amigos do Barreiro".

 

 

 

 

 

visita guiada porto oo aljube s1Entre as duas centenas de participantes encontrava-se um grupo de 50 democratas do Núcleo do Porto, que visitaram da parte da manhã o Museu do Aljube, tendo como guia o ex-preso político Domingos Abrantes.

 

 

 

 

 

 

 

 

homenagem trabalhador alentejano s2O antigo Palácio Alverca foi construído em finais do século XVII, junto das Portas de Santo Antão, uma das principais entradas da cidade velha, no local onde em meados do século XV existira um curral de porcos (o Curral Velho), e mais tarde um matadouro e uma fábrica de curtumes. Pertenceu à família Pais do Amaral, dos Viscondes de Alverca, de onde proveio a designação. Também foi conhecido por Palácio São Luís, por se encontrar diante da igreja desta invocação. Em 1919, depois de aí ter funcionado um liceu e um armazém de mobiliário, foi alugado para nele se instalar o "Magestic Club", depois "Monumental Club", um dos primeiros casinos de Lisboa, que aí esteve até 1928. A partir de 1932 o Grémio Alentejano, depois Casa do Alentejo, instalou-se no espaço, que viria a adquirir em 1981.

 

O palácio possui planta quadrangular composta, com diversos corpos distribuídos em redor de três pátios, dois dos quais cobertos durante as intervenções novecentistas. Para além de elementos barrocos, como no caso dos painéis de azulejos, e dependências nos estilos Luís XV e Luís XVI, encontramos no interior muitas peças neo-góticas, neo-árabes, neo-renascentistas e neo-rococós, assim como alguns apontamentos Arte Nova, resultando num conjunto exuberante e exótico que servia bem o propósito de clube nocturno.

 

Merecem especial realce o Pátio Árabe (aproveitamento do antigo pátio das cocheiras), o Salão dos Espelhos, o Salão Neo-renascentista, a biblioteca, ou os painéis de azulejos das salas do restaurante. De resto, os únicos vestígios decorativos da construção original são alguns painéis de azulejos setecentistas, historiados com cenas delicadas.