Assembleia Geral da URAP reforça organização e elege novos órgãos

AG2019 s3A Assembleia-Geral (AG) da URAP realizou-se, dia 30 de Março, na Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa, para apreciar e votar o Relatório de Actividades e o Relatório de Contas de 2018, votar o Plano de Actividades para o ano em curso, eleger os órgãos sociais para o biénio 2019/2021 e alterar os Estatutos da organização.


O Plano actividades foi apresentado pela coordenadora, Marília Villaverde Cabral, que expôs as prioridades da organização, nomeadamente a de criar e activar mais núcleos no país, recrutar novos sócios, informatizar os serviços e dinamizar as duas novas sedes, central e de Lisboa, e alargar os protocolos com as câmaras e outras entidades.

 

AG2019 s5Valorizou o trabalho dos núcleos e a extensão territorial da acção da URAP, referiu que a mudança da sede teve encargos importantes no trabalho obrigando a adiar medidas organizativas como o ficheiro, que se pretende retomar este ano.

A coordenadora anunciou que a URAP tem tido muitas solicitações para sessões em escolas e que faz parte da comissão organizadora do desfile do 25 de Abril. Referiu a inauguração da primeira fase do Museu Nacional da Liberdade e Resistência, em Peniche, a 27 de Abril, e apelou a uma grande mobilização popular. Declarou que se vai inaugurar, na ocasião, o memorial com o nome dos presos políticos, com base num levantamento feito pela URAP.

Marília Villaverde lembrou o desfile do Primeiro de Maio e recordou as comemorações do aniversário da URAP a 4 do mesmo mês. Referiu as sessões de apresentação da actividade editorial, os livros sobre Peniche e sobre o MJT, acrescentando que a URAP e a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo preparam um novo livro, desta vez sobre a prisão local. Planeia uma investigação sobre a cadeia de Caxias, visando homenagear as mulheres que lá estiveram presas. A URAP manterá sempre, todos os anos, a homenagem aos tarrafalistas junto ao mausoléu, em Lisboa.

No campo da actividade internacional a URAP está a programar uma viagem da resistência a Oradour Sur Glane, uma cidade francesa arrasada pelos nazis durante a II Guerra Mundial.

O Relatório de Actividades de 2018 foi apresentado por César Roussado que destacou a mudança da mítica sede da URAP da Rua Bernardo de Lima e o aumento significativo do número de sócios.

Álvaro Contreiras apresentou o Balanço e Contas relativo ao exercício de 2018.

Levy Batista, que presidiu à sessão ladeado por Maria José Ribeiro e Celestina Leão, referiu a presença da URAP numa importante iniciativa internacional que visou discutir o antifascismo na Europa e o necessário combate político às ideias fascistas e de extrema-direita, nomeadamente no contexto da aproximação das eleições europeias, e valorizou o papel da organização italiana que a produziu, a ANPI, em Roma. Alertou para os perigos actuais e mecanismos de manipulação.

AG2019 s4Vários núcleos tomaram a palavra para descrever a actividade que tiveram durante o ano transacto.
Maria José Ribeiro, do núcleo do Porto, falou da actividade do núcleo e da continuação do projecto do Heroísmo à Firmeza, da homenagem anual da URAP aos antifascistas no dia 25 de Abril, das sessões em escolas, e do ciclo de cinema. Valorizou a inscrição de novos sócios.
Mário Araújo, do núcleo de Almada, falou sobre o movimento associativo popular, as escolas e o poder local.
Jacinto Artur, em representação do núcleo de Setúbal, destacou o facto da sede da URAP estar aberta todos os dias, referiu a presença de 686 alunos em sessões sobre o 25 Abril, um ciclo de cinema, a romagem ao momento da resistência, a 25 Março, em colaboração com a câmara. Para 2019, o núcleo está a preparar uma publicação com diversos testemunhos.
Pedro Pinheiro, da Amadora, contou que o núcleo faz reuniões mensais e a entrada de novos membros, nomeadamente nascidos depois do 25 Abril. Estão a preparar uma homenagem ao jornal Notícias da Amadora, que foi um órgão de comunicação importante no combate ao fascismo.
José Viegas, do Seixal, referiu as reuniões regulares do núcleo, a participação em várias viagens da resistência, a organização de um jantar no Clube Recreativo da Cruz de Pau com a participação de uma centena de pessoas, e uma sessão sobre os 45 anos do 25 Abril em parceria com a Universidade Sénior do Seixal.
César Roussado falou sobre a intensa actividade da URAP: as sessões em todo o país. Apelou à necessidade de criar estruturas e mais núcleos nos locais onde se fazem sessões. Lembrou que o aumento da actividade implica mais organização. Anunciou que o Roteiro Antifascista vai continuar para além de Abril e que já há cerca de 60 sessões agendadas sobre o 25 de Abril.
Adelino Silva prestou uma informação detalhada sobre o dia 27, data da inauguração parcial do Museu da Resistência, em Peniche, a saber: o parlatório, o segredo, um memorial com os nomes dos ex-presos, a exposição provisória "Por teu livre pensamento" sobre o conteúdo do futuro museu. Relatou que um grupo de ex-presos foi recebido pela Directora Geral do Património no dia 28 passado para se inteirar do andamento das obras.
José Pedro Soares interveio sobre o dia 27 de Abril em Peniche e salientou que a construção do museu consiste numa grande vitória. Relatou que a URAP participou numa reunião com a Câmara de Oeiras destinada a assinalar a libertação dos presos de Caxias, nas mais recentes lutas da juventude estudantil e trabalhadora a 28 de Março, e sobre o livro do MJT e o papel da juventude para a preparação e concretização da revolução de Abril.
João Neves, de Peniche, disse que o núcleo foi reactivado o ano passado. A primeira actividade, com cerca de 150 pessoas, foi sobre o papel da população de Peniche na resistência e na solidariedade para com os presos e suas famílias. Neste momento a URAP de Peniche prepara as comemorações do 25 Abril em quatro frentes: exposição da URAP nas freguesias e colectividades, e homenagem a dois tarrafalistas da freguesia Serra del Rei; 13 sessões em escolas com mostra da exposição; almoço comemorativo do 25 Abril, aberto a todos os democratas; mobilização para Peniche no dia 27 de Abril. João Neves informou ainda detalhadamente e manifestou preocupação quanto à intenção de retirar do pátio do forte o monumento aos presos políticos.
Ana Pato abordou os meios de informação da URAP, nomeadamente prestando contas acerca do boletim e da presença da URAP online através da página e do Facebook.
Júlio Dias, do Barreiro, declarou que o núcleo, que reúne mensalmente na Cooperativa Popular do Barreiro, promoveu sessões em escolas e uma iniciativa de homenagem aos presos com uma centena de pessoas.
Eduardo Brissos, do núcleo de Loures/Odivelas, afirmou que estão a proceder a uma recolha de documentos anteriores ao 25 de Abril de 1974 para entregar no Arquivo Municipal para tratamento e exposição. Estão também a colher depoimentos de antifascistas (já têm 41 em vídeo), a ir às escolas, a fazer homenagem a presos políticos locais, através de um levantamento de nomes obtido na Torre do Tombo.
Pedro Soares, de Setúbal, falou sobre a importância do simbólico na luta antifascista e da preservação da memória. Nomeadamente os monumentos vários que existem em muitas localidades e que é preciso preservar, divulgar e defender. O núcleo editou postais com imagens de vários monumentos antifascistas. Relembrou a história da cidade francesa de Oradour Sur Glane, onde uma excursão da URAP está a ser organizada.

AG2019 s2No final aprovou-se a alteração aos Estatutos.

As cerca de 60 pessoas dos núcleos de Lisboa, Porto, Santa Iria da Azóia, Barreiro, Setúbal, Vila Franca de Xira, Peniche, Amadora, Almada, Seixal e Loures/Odivelas presentes aprovaram todos os documentos por unanimidade.

O Conselho Directivo agora eleito é composto por Ana Pato, César Roussado, Diamantino Torres, José Manuel Vargas, José Pedro Soares, Marília Villaverde Cabral, Nuno Figueira, Francisco Canelas, Júlio Dias Palmira Areal e elegerá o coordenador na sua primeira reunião.
O advogado Levy Casimiro Baptista foi eleito presidente da Assembleia Geral, seguindo-se a vice-presidente Maria José Ribeiro e as 1ª e 2ª secretárias Celestina Leão e Eulália Miranda. O Conselho Fiscal é encabeçado por Álvaro Contreiras, incluindo ainda Álvaro Pato, Feliciano David, Bento Luís, Dália Morais e Mário Araújo, e foi eleito também um Conselho Nacional com 31 nomes de antifascistas.

Composição dos corpos sociais

Composição do Conselho Nacional