URAP Porto organiza sessão sobre "Fascismo – Ontem e hoje: Resistência!"

sessao porto 29nov2019 loff freitas s1Manuel Loff, João Freitas e Maria José Ribeiro foram os oradores de uma sessão promovida pelo núcleo da URAP do Porto, dia 30 de Novembro, na sede da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto dedicada ao tema "Fascismo – Ontem e hoje: Resistência!".

 

Numa lição de História, rica e esclarecedora, Manuel Loff, historiador, investigador e professor universitário, contextualizou o nascimento da ideologia fascista, os seus desenvolvimentos e ascenso ao poder, por via legal e em "coligação" com outros, a situação de crise económica, social, política e o confronto com a Revolução Socialista, a sua derrota na II Guerra Mundial, mas não a sua morte.

 

Na actualidade, disse, apresentam-se com outras roupagens. Nenhum partido vai a eleições cunhando-se de fascista, os actuais representantes da extrema-direita portuguesa foram recentes militantes ou mesmo dirigentes do PSD ou CDS. Contudo, possuem traços comuns de racismo e xenofobia, de intolerância face a minorias, de medo da invasão estrangeira: a ameaça das comunidades emigrantes, dos povos do sul e o liberalismo económico.

 

Referindo-se à criação do Museu Salazar, Manuel Loff explanou as razões de fundo que encontra para que não vá por diante o chamado "Centro Interpretativo do Estado Novo" na terra onde nasceu o ditador, e a urgência da preservação da memória da resistência antifascista.

 

João Freitas, mestre em História Contemporânea, referiu-se à situação internacional, lembrando a luta da resistência contra o ascenso do fascismo e do nazi-fascismo organizada nos "Arditi del Popolo", em 1921, em Itália, à "Aliança dos Combatentes da Frente Vermelha", na Alemanha, da Frente Popular em França, dos Sindicatos, Partidos Trabalhista e Comunista no Reino Unido.

 

O historiador recordou a generosidade e heroicidade das Brigadas Internacionais que lutaram em defesa da República na Guerra Civil de Espanha ou, no caso português, o longo e rico historial de luta. Afirmou ainda que o antagonismo entre comunistas e nazi-fascistas é tão irredutível na ideologia como na história.

 

sessao porto 29nov2019 loff freitas s2Freitas citou as palavras de Thomas Mann, um insuspeito liberal: "colocar o comunismo no mesmo nível moral que o nazismo é, na melhor hipótese, uma análise superficial, no pior dos casos, é fascismo. Quem insiste nessa comparação pode afirmar-se como democrata, mas no fundo, já é um fascista. Poderá de alguma forma combater o fascismo, mas reservará todo o seu ódio para o comunismo".

 

Por último, interveio Maria José Ribeiro, da direcção da URAP, que através da sua vivência pessoal trouxe testemunhos da sordidez do fascismo bem como da coragem e força moral dos que lhe souberam resistir.

 

Maria José Ribeiro traçou ainda o percurso do longo e persistente trabalho da URAP no Porto para que o edifício da ex-PIDE seja um memorial que lembre às jovens gerações o que foi o fascismo e as consciencialize no sentido de lhe dar combate.