URAP realiza romagem anual ao Mausoléu dos Tarrafalistas

IMG 6260Resultado"(...) estamos a cumprir uma tradição mas é necessário acrescentar que se trata de uma boa tradição porque é uma tradição que é filha de um dever de memória, de um dever de consciência, de um dever de gratidão por todos aqueles que, assassinados no Tarrafal ou lá tendo sofrido o que hoje custa a imaginar, inscreveram a letras de sangue e sacrifício na nossa história colectiva os valores perenes da coerência, da coragem e da firmeza de convicções democráticas", afirmou Victor Dias junto ao Mausoléu dos Tarrafalistas, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa.


O membro do Conselho Nacional da URAP e ex-preso político falava, dia 29 de Fevereiro, na homenagem anual que a organização convoca em memória dos presos políticos que estiveram longos anos e que morreram no Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, e ali se encontram sepultados.


A cerimónia foi presidida por Francisco Canelas, do Conselho Directivo da URAP, e entre as dezenas de participantes encontravam-se delegações da Juventude Comunista Portuguesa e das Associações de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

IMG 6356ResultadoDepois de "sublinhar o profundo significado de há dias ter sido anunciado em Cabo Verde o projecto de transformação do Tarrafal num verdadeiro museu da Resistência", com o apoio do governo português, Victor Dias classificou o Campo de Concentração do Tarrafal como um local "(...) concebido, criado e dirigido para ser um campo de extermínio físico e humilhação, para mostrar que, ao contrário do que alguns de vez em quando proclamam, a ditadura fascista não foi nem branda nem suave mas antes, à sua escala, cruel, hedionda, desumana e bárbara".

 

"Os 32 assassinados no Tarrafal não puderam conhecer o vendaval poderoso, alegre, feliz e entusiasmante da conquista da liberdade em 25 de Abril de 1974 mas, no nosso imaginário e no nosso coração, eles figuram ao lado dos vivos como vencedores nesse longo, áspero e sacrificado combate contra a ditadura fascista", disse.


O orador alertou para os tempos presentes "carregados de perigos de avanço de ideias reaccionárias, racistas, xenófobas e populistas", para os quais não deve haver "nenhuma tolerância", e apelou ao "compromisso de vida com os ideais da liberdade, da democracia, da paz e do progresso social".
"(...) chama-se visão humanista da sociedade, do país e do mundo, chama-se capacidade de olhar as batalhas do presente com confiança e de mirar o futuro com uma esperança ancorada na luta e acção transformadora dos homens", afirmou.

 

 

 


IMG 6328ResultadoNa cerimónia, o momento musical foi preenchido com Carla Correia, que cantou três mornas cabo-verdianas, acompanhada à guitarra por Heloisa Monteiro, tendo sido intercaladas com poesia dita por Regina Correia. Actuaram ainda membros do Coro Lopes Graça.

 

 

 

 

 

 

 

IMG 6359ResultadoA romagem terminou com os presentes a entoarem Grândola Vila Morena e o Hino Nacional.

 

A URAP agradece presença e apoio logístico da União dos Sindicatos de Lisboa e da Voz do Operário.