O papel dos jovens na luta anti-fascista

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Rita Rato

urap.jpgUma leitura mais curiosa sobre a história da URAP, de como se formou e com que objectivos, os vários intervenientes e resistentes, as suas ameaças e vitórias, revelam-nos um percurso singular, até mesmo se comparada com outras experiências de resistência e luta anti-fascista na Europa.

Este património histórico comporta uma energia imensurável para os dias que hoje vivemos.

Dias estes, em que os jovens portugueses filhos e netos da Revolução de Abril, são confrontados com uma poderosa campanha ideológica de branqueamento do fascismo e de apagamento da verdade histórica, a par de uma estratégia política de limitação dos seus direitos e liberdades democráticas.

A natureza violenta, exploradora e opressora do regime fascista que durante 48 anos oprimiu os jovens, os trabalhadores, os camponeses e todos aqueles que não se conformavam com a fome, a miséria, a exploração e a opressão, é questionada nos manuais de História do Ensino Secundário. Esta mesma tese que, de forma mais elaborada, faz opinião e conteúdo de uma bibliografia variada nos cursos de ciências sociais do Ensino Superior, a animar ainda teses de mestrado e doutoramentos.

Esta ofensiva sobre os direitos democráticos não se restringe ao plano ideológico. Também no plano político a juventude sente de forma particularmente grave as consequências duma política que serve os interesses de uma minoria e degrada as condições de vida da larga maioria da população.

Ao abrigo de uma falsa "modernidade", os nossos governantes querem uma geração sem direitos, que não sabe como será o dia de amanhã, confrontada com o desemprego, os baixos salários, a precariedade, o alargamento e desregulação do horário de trabalho, o boicote à contratação colectiva.

A privatização e elitização da educação, os ataques à escola pública democrática, a privatização da saúde, as dificuldades no acesso à habitação, a elitização da cultura, revelam o carácter anti-juvenil da política de direita e a degradação do regime democrático.

No presente como no passado, a unidade de todos aqueles que não se revêem no rumo desta política, mas têm confiança que é possível caminhar para a concretização dos direitos conquistados com a Revolução de Abril tem sido um aspecto determinante para o reforço da luta anti-fascista.

Porque compreendemos a luta anti-fascista como a luta pela defesa do regime democrático, pela defesa dos direitos e liberdades. Uma luta de todos os dias, ligada à vida, às aspirações individuais e colectivas da juventude, dos trabalhadores e do povo. Uma luta que se trava com resistência e confiança, com a certeza que a democracia económica, social, política e cultural é inseparável da luta pela liberdade.

Porque já dizia a cantiga, só há liberdade a sério quando houver a paz, o pão, a habitação, saúde, educação.