Em nome da guerra

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Bruno Carvalho

nato-anti4No fim deste ano, realiza-se em Portugal a cimeira da NATO. Vai ser um importante encontro onde, certamente, altos-representantes terão a oportunidade de discutir como reforçar a sua actividade criminosa em nome da guerra contra o terrorismo. Pela paz e pela democracia, claro.

Como foi pela paz e pela democracia que, em 1998, os Estados Unidos e a União Europeia, através da NATO, agrediram a Jugoslávia, patrocinando o seu desmembramento. Também pela paz e pela democracia, apoiaram, por sua vez, o ataque terrorista do Estado georgiano contra a capital da Ossétia do Sul. Afinal, quais os objectivos da NATO?


Quando a NATO surgiu, em 1949, o povo português vivia na obscuridade da ditadura fascista. Contudo, isso não foi um problema para os países que protagonizavam a chamada democracia ocidental. Por isso, Portugal integrou o grupo fundador da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Estava, pois, claro que o objectivo não era o de defender a democracia mas antes o de defender o sistema capitalista contra o socialismo.

O objectivo inicial, com o apoio do Plano Marshall, foi o de impedir o reforço dos movimentos operários na Europa. Com a derrota do nazi-fascismo, a URSS conquistou um grande prestígio e as ideias socialistas ganhavam cada vez maior peso na Europa Ocidental. Para além da normalização económica e social, havia que garantir a manutenção da hegemonia militar.

Em países como Itália, onde o risco de o Partido Comunista Italiano ganhar as eleições era elevado, a NATO estimulou movimentos bombistas de carácter fascista e, em muitos casos, deu apoio a grupos de extrema-esquerda. O objectivo era denunciar a esquerda como responsável pela onda de violência. Fê-lo em muitos outros países.

Mas quando se dá o fim da experiência socialista no Leste Europeu, para muitos, a NATO deixa de ter razão para existir. Mas não deixou. O inimigo socialista é substituído, na retórica, pelo inimigo terrorista e a NATO assume, como sempre, um papel avançado na ofensiva do imperialismo.

Afinal, a História não teve o seu fim e a Rússia volta a preocupar os países da NATO. Dá-se, então, o alargamento a Leste. Em 1999, entra a República Checa, a Hungria e a Polónia. Em 2004, a Bulgária, Roménia, Lituânia e, às portas da Rússia, a Letónia e Estónia. No ano passado, foi a vez da Albânia e da Croácia.

Para além da agressão contra a Jugoslávia e da pressão junto da Rússia, a NATO mantém tropas no Kosovo, no Afeganistão e no Iraque.

Por onde a NATO passa, milhares de cidadãos são assassinados. Em nome da paz e da democracia? Não. Em nome do domínio social, económico, político e militar por parte do capitalismo e do imperialismo.