Comunicado da URAP sobre o Projecto "Museu Salazar"

manifestacao santa comba 2007 bandeira urapA Direcção da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses tomou conhecimento, através da Comunicação Social, de um Projecto denominado " Rede de Centros de Interpretação de História e Memória Política da Primeira República e do Estado Novo". Projecto que surge, após o anúncio do Presidente da Câmara de Santa Comba Dão, da criação do Museu Salazar, dito interpretativo do Estado Novo e que, naturalmente, levantou uma onda de indignação de todos os amantes da Democracia e da Liberdade.

 

Este Projecto, longe de diluir a questão concreta de instituir um museu a Salazar, mantém inscrito o propósito de branqueamento e reabilitação do fascismo e da figura do seu principal mentor e responsável.

 

Critérios pretensamente académicos, com contornos de investigação, mas em que se misturam figuras da 1ª República, homens de letras e de ciência, democratas honrados, com a figura tenebrosa do ditador fascista, não pode deixar de causar repúdio e indignação.

 

Que ninguém se iluda: a criação de tal projecto, a concretizar-se, seria um instrumento ao serviço do branqueamento do fascismo e de romagem para os saudosistas do regime que perseguiu, que prendeu, que torturou milhares de democratas que lutavam, porque amavam o seu povo e o seu país.

 

É bem elucidativo o que se passou em 2007, quando amigos e associados da URAP, que participaram numa simples sessão de esclarecimento em Santa Comba Dão, tiveram à sua espera grupos de neofascistas, obrigando a GNR a intervir. É isto que pretendem os promotores de um Projecto que vai, além de tudo o que de mais se tem dito, criar naquela terra, uma situação de desestabilização?

 

A URAP vai continuar a alertar para os perigos reais que este projecto encerra e apela a todos democratas, a todos os amantes da liberdade que continuem a manifestar-se contra a sua criação, tenha ele os nomes que tiver. O que o país precisa é de Museus como o de Peniche, como o do Aljube, o da sede da Pide no Porto, onde aí sim, com veracidade histórica, se encontrarão documentos, exposições e outros materiais, onde a população e sobretudo as jovens gerações possam encontrar motivos de reflexão e estudo, como um contributo esclarecedor do que foi o fascismo e a resistência antifascista.

 

25 de Abril, Sempre!

Fascismo Nunca Mais!

 

Lisboa, 10 de Setembro de 2019