dia 3 - Grândola - A Vila Morena recebeu a tocha da paz

IMG 3297As crianças, entre os 5 e 7 anos no máximo ouviam as explicações de José Pedro Soares sobre as desgraças e misérias como consequências das guerras e à pergunta:

 

- Porque será que se fazem as guerras?

Uma menina, das mais vivaças não hesitou na resposta:

- Pelo dinheiro...

 

A simplicidade da resposta mesmo às perguntas mais difíceis, pode-se dizer mesmo, às interrogações mais filosóficas, foi dada pela criança e, se mais não tivesse sido conseguido nesta jornada antifascista, aquela resposta justificava o dia.

Grândola, terra da resistência antifascista, recebeu a tocha da paz junto ao monumento do 25 de Abril na vila alentejana.

 

IMG 3157José Pedro Soares e Olga Macedo, membros da direção da URAP, estiveram acompanhados pelos vereadores, Fernando Sardinha, António Candeias e Aníbal Cordeiro, bem assim como Fátima Luzia, presidente da Junta de Grândola e Stª Margarida da Serra e Mariano Paixão membro do seu executivo.

 

 

 

 

 

IMG 3320Depois da recepção da tocha, de uma forma simbólica, um grupo de ciclistas transportou-a, pela ruas da vila, até à biblioteca municipal, onde foi inaugurada a exposição sobre os 70 anos do fim da segunda guerra e da vitória sobre o nazi-fascismo; dezenas de crianças, alunos do 2º ano da Escola Primária, esperavam a delegação libertando dezenas de balões brancos.

 

Olga Macedo, filha de um tarrafalista, e José Pedro Soares, preso político libertado no 25 de Abril de 1974, deram uma sucinta explicação sobre os painéis que compunham a exposição.

 

Duas aulas de História – é possível um mundo melhor!

 

IMG 3236Na Escola Secundária António Inácio da Cruz a delegação da URAP foi recebida pela professora Ângela Filipa, presidente da comissão administrativa da escola.

 

As duas turmas do 9º ano e uma do 12º lecionadas pelo professor José Abreu que fez uma pequena introdução ao tema da lição dada por José Pedro Soares que dissertou, de forma pormenorizada e por vezes emotiva, sobre a resistência ao fascismo, a vitória do nazi-fascismo e o significado da democracia nos nossos dias.

 

A descrição da resistência ao fascismo, dos campos de concentração nazis e do congénere português – o Tarrafal – foi seguida com atenção pelos cerca de meia centena de estudantes; também foi abordada a cumplicidade entre Salazar e Hitler que teve a sua expressão acabada pelo envio para a União Soviética de centena e meia de fascistas portugueses para participarem, ao lado das forças hitlerianas, no cerco a Leninegrado, S. Petersburgo, na versão atual. [1]

 

- Podia-nos falar do contexto em que foi preso? – perguntou uma jovem visivelmente interessada no assunto.

 

O companheiro José Pedro Soares deu uma explicação pormenorizada das torturas a que os resistentes antifascistas portugueses, entre eles ele próprio, eram vitimas ás mãos dos esbirros da PIDE; uma explicação forçosamente emotiva.

 

- É possível um mundo melhor! – terminou José Pedro.

 

O cansaço não cansa resistentes - passe a quase redundância - e a seguir a esta lição, entrou a turma do 9º ano do professor José Simões.

 

A simplicidade da resposta, na boca de uma criança

 

Cerca das 15 horas foi dada uma explicação, sobre o contexto da vitória sobre o nazi-fascismo, na Universidade Sénior e, de seguida visitou-se a Ludoteca onde a URAP era esperada por meia centena de crianças.

 

Não é fácil, julga-se, explicar certos assuntos a crianças; mas foi feito o que se asseverava difícil.

 

As crianças, entre os 5 e 7 anos no máximo ouviam as explicações de José Pedro Soares sobre as desgraças e misérias como consequências das guerras e à pergunta:

- Porque será que se fazem as guerras?
Uma menina, das mais vivaças não hesitou na resposta:
- Pelo dinheiro...

A simplicidade da resposta mesmo às perguntas mais difíceis, pode-se dizer mesmo, às interrogações mais filosóficas, foi dada pela criança e, se mais não tivesse sido conseguido nesta jornada antifascista, aquela resposta justificava o dia.

 

IMG 3353Quatro jovens músicas da Sociedade Filarmónica Fraternidade Operária Grandolense, a Música Velha como é conhecida na vila, brindou a assistência, nas instalações da biblioteca, com solos de clarinete, saxofone e flauta.

 

E assim terminou este dia de resistência antifascista e de luta pela Paz.

 

 

 

 

 

[1] esta centena e meia foi integrada na Divisão Azul da falange franquista; outro "visitante" ao exercito nazi na União Soviética foi, o então tenente, António Spínola.