De tudo o que Abril abriu ainda pouco se disse

cravo-vermelho01Em Abril de novo o encontro do povo sai à rua e desfila na avenida que tem o nome de Liberdade. Com uma flor. Ora ao peito, ora em mão erguida, ora no cabelo ou na orelha dos mais jovens. No entreencontrar de olhares que riem a dizer que o dia é seu, ouvem-se, a marcar cada segundo, milhares de passos que afirmam. É a resposta do Povo que fez Abril a quem queira fazê-lo voltar atrás.

Em Abril de novo o encontro do povo sai à rua e desfila na avenida que tem o nome de Liberdade. Com uma flor. Ora ao peito, ora em mão erguida, ora no cabelo ou na orelha dos mais jovens. No entreencontrar de olhares que riem a dizer que o dia é seu, ouvem-se, a marcar cada segundo, milhares de passos que afirmam. É a resposta do Povo que fez Abril a quem queira fazê-lo voltar atrás.

Os Capitães que em 25 de Abril se levantaram para derrubar o governo de Marcelo Caetano, e o levantamento militar do MFA que logo os apoiou, foram intérpretes das aspirações populares de meio século de luta antifascista.

A luta e resistência do nosso povo em todos os tempos da ditadura mostrou-lhes que tinham apoio para a sua acção. Confiaram no povo português. Saindo à rua, deram o abanão final ao regime. E o Povo, saindo à rua, ao lado dos militares de Abril, abriu as portas da Democracia para Portugal.

Com Abril plantámos um cravo vermelho no nosso caminhar pelo mundo.

Os cravos foram expressão da alegria do Povo, da sua aliança com os militares de Abril, da alegria e da festa que a Liberdade trouxe a Portugal.

No alto da espingarda mais florida que a guerra jamais viu, fomos deixando, desde o ruir da ditadura até ao fim do colonialismo, o nosso desejo de paz e também o que fraternalmente significa igualdade de direitos, na sua mais ampla expre­ssão social.

A política dos últimos decénios arrancou muitas pétalas de Abril. Desmantelou muitas das conquistas da democracia portuguesa, portadoras de futuro. E  a  injecção forçada e subalterna de uma globaliza­ção económica, técnica, cultural, científica, feita sem olhar a custos sociais, condenou milhares de portugueses a um destino de injustiça pré-programada, na desigualdade crescente de ricos e pobres.

Mas cada porta bandeira de um cravo, ao erguê-lo, desfilando neste 25 de Abril, saberá que  vivendo e continuando  a cor primaveril desse cravo, com a determinação de quem foi capaz de derrubar uma ditadura, poderá afinal alterar o desti­no.

Abril foi o grande protagonista de uma portuguesa modernidade.

Persiste em não se consentir data do passado.

Caminha como portador da história, de ideias e valores indispensáveis à solução dos problemas com que nos debatemos hoje, no mundo e no país.

Aurélio Santos

"As portas que Abril abriu"

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