Na morte de António Arnaut

Antonio ArnautO socialista e advogado António Arnaut, nascido em Cumeeira, Penela, distrito de Coimbra, morreu hoje aos 82 anos em Coimbra, onde estava internado nos hospitais da Universidade.


Presidente honorário do PS desde 2016, foi ministro dos Assuntos Sociais, Saúde e Segurança Social no II Governo Constitucional, tendo assinado o despacho que cria o Serviço Nacional de Saúde, publicado no Diário da República em 29 de Julho de 1978, o que lhe valeu, na ocasião, ser acusado de estar a "soldo de Moscovo" e de querer estatizar a saúde, nomeadamente pelo então bastonário da Ordem dos Médicos, Gentil Martins, mas Arnaut afirmou que só queria "socializar a saúde, isto é, torná-la um direito de todos e não um privilégio de quem a podia pagar".


Foi ainda deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade e com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.


Poeta e escritor, António Arnaut foi desde muito jovem um combatente antifascista e participou em acções unitárias democráticas como a comissão distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado.


António Arnaut destacou-se na defesa dos valores de Abril, nomeadamente no que toca à saúde e a outros direitos sociais e democráticos consagrados na Constituição da República Portuguesa.