Na morte de Catalina Pestana

catalina pestanaCatalina Pestana, a última provedora da Casa da Pia de Lisboa desde 2002 e defensora acérrima das crianças vítimas de assédio sexual naquela instituição, morreu em Lisboa dia 22 de Dezembro passado, aos 72 anos, vítima de uma infecção generalizada.


Maria Catalina Batalha Pestana, que nasceu no Barreiro a 5 de Maio de 1946, foi uma das organizadoras de campos de férias para os filhos de presos políticos. Era licenciada em Filosofia pela Universidade de Letras de Lisboa e mestra em Psicologia Educacional.


Activista social, foi para os seus amigos "mulher de muitas convicções" e "uma força da natureza" que esteve "sempre ao lado dos que não têm voz". Participou em muitos eventos da URAP e foi membro fundador da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (CNSPP).


Em 1975, assumiu a direcção do Colégio de Santa Catarina, em Lisboa, que estava sob a tutela da Casa Pia. Exerceu estas funções durante cerca de doze anos, até 1987, naquele que era o único estabelecimento misto da instituição. Depois, começou a dar aulas de Análise Sócio-Histórica da Educação na Faculdade de Motricidade Humana.


Ao mesmo tempo coordenou, entre 1990 e 1993, o Projecto Vida de Prevenção da Toxicodependência em Meio Escolar. A partir de 1998 (até 2002), passou a exercer o cargo de directora do Plano para a Eliminação de Exploração do Trabalho Infantil.


No final de 2002, Catalina Pestana foi escolhida pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho, liderado por Bagão Félix, para ser a provedora da Casa Pia de Lisboa. Actualmente era vice-presidente da Associação Rede de Cuidadores.