Na morte de Ruben de Carvalho

ruben de carvalhoRuben de Carvalho, antifascista, sócio da URAP e militante do Partido Comunista Português, morreu na madrugada de hoje, em Lisboa, aos 74 anos.


Jornalista da imprensa escrita e da rádio, Ruben de Carvalho era um profundo conhecedor de música, na sua dimensão artística, cultural e social, no plano nacional e internacional, das suas raízes populares à sua dimensão erudita. Foi Chefe de Redacção do «Avante!», órgão central do PCP, entre 1974 e 1995.


Ruben de Carvalho era membro do PCP desde 1970. Actualmente pertencia ao Comité Central e ao Executivo da Comissão Nacional da Festa do «Avante!», da qual foi responsável pela programação cultural, em particular a concepção e organização dos espectáculos musicais durante muitos anos.

 

Ruben de Carvalho participou na luta antifascista desde os anos 60 e foi preso várias vezes. Militou no movimento estudantil, foi activista da Oposição Democrática nas eleições para a Assembleia Nacional de 1961, 1965 e 1973, tendo nestas últimas integrado a Comissão Central da CDE (Comissão Democrática Eleitoral). Após o 25 de Abril foi membro da direcção do Movimento Democrático Português – Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) em 1974, e chefe de gabinete do ministro Sem Pasta, Prof. Francisco Pereira de Moura, no I Governo Provisório.


Culto e irónico, foi repórter e redactor coordenador de O Século; chefe de redacção da Vida Mundial; colaborador de várias publicações como a Seara Nova, Notícias da Amadora, O Diário, Diário de Lisboa, Século Ilustrado, Contraste, JL, O Militante, Politika, História, Vida Mundial (nova série), A Capital, Expresso. Foi cronista no Diário de Notícias e comentador da SIC Notícias. Dirigiu entre 1986 e 1990 a radio local Telefonia de Lisboa. Foi membro do Conselho de Opinião da RTP em 2002.

Produzia, desde 2009, o programa Crónicas da Idade Mídia e participou no programa Os Radicais Livres, na Antena 1.
Foi membro da Comissão Executiva das Festas de Lisboa e da Comissão Municipal de Preparação de LISBOA 94 - Capital Europeia da Cultura, Comissário para as áreas de Música Popular e Edições de LISBOA 94 e Director artístico nomeado pela Câmara Municipal de Lisboa do Festival das Músicas e Portos (1999). Membro do Conselho Directivo do Centro Cultural de Belém.


Pela CDU, foi deputado na Assembleia da República, eleito pelo círculo de Setúbal (1995), vereador da Câmara Municipal de Setúbal (1997), e vereador na Câmara Municipal de Lisboa (2005 a 2013). Foi responsável na CML pelo Roteiro do Antifascismo.


Foi membro da Comissão Executiva das comemorações do 25.º Aniversário do 25 de Abril nomeado pelo Presidente da República.


Escreveu os livros "Dossier Carlucci-CIA", "Festas de Lisboa", "As Músicas do Fado", "Seis Canções da Guerra de Espanha", "Um Século de Fado", "Histórias do Fado", organizou o livro póstumo "As Palavras das Cantigas", de José Carlos Ary dos Santos, e prefaciou diversas obras, nomeadamente "Nenhum Homem é Estrangeiro", de Joseph North.
Produziu diversos discos e espectáculos, nomeadamente "Uma certa maneira de cantar", "A Internacional", "Pete Seeger em Lisboa", "25 Canções de Abril", "Lisboa Cidade Abril", "Carvalhesa", "Grândolas", entre outros.