Na morte de António Areosa Feio

areosa feioAntónio Areosa Feio, engenheiro, comunista desde o início da Ditadura, figura incontornável do combate ao regime salazarista e sócio da URAP, morreu hoje, 21 de Junho, em Lisboa aos 96 anos. O seu corpo vai estar em câmara ardente, a partir desta tarde, na capela mortuária do Mosteiro dos Jerónimos, em Belém.


Filho de resistentes antifascistas, António Barreto Areosa Feio nasceu em Vila Nova de Gaia, a 4 de Agosto de 1922. Iniciou os estudos de Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, mas concluiu no Porto a licenciatura, na Faculdade de Engenharia do Porto, devido às suas actividades políticas.


Dirigente associativo desde muito jovem aderiu ao MUD em 1945. Participou na fundação do MUD-Juvenil, de cuja Comissão Central fez parte, em 1947 e 1948. Em Fevereiro de 1948 integrou a Comissão de Emergência do MUD, com Câmara Reis, Irene Lisboa e Francisco Keil do Amaral, constituída para assegurar os trabalhos daquele Movimento, face à prisão dos membros da Comissão Central pela PIDE. Em 1949 fez parte da Comissão Central do MND.


Preso pela primeira vez em 1946, acusado de pertencer ao Partido Comunista desde fins de 1942, foi julgado no Tribunal Plenário de Lisboa e condenado a 18 meses de prisão. Preso de novo em 1949, é condenado e, em fins de Junho de 1953, sai em regime de liberdade condicional, por três anos. Depois de libertado manteve a actividade política: fez parte da Comissão Nacional para a Defesa da Paz (1950) e pertenceu às comissões eleitorais das candidaturas à Presidência da República de Norton de Matos (1949), Ruy Luís Gomes (1951), Arlindo Vicente (1958) e Humberto Delgado (1958).


Em 1959, assinou, com outros oposicionistas, um documento, datado de 18 de Março, em que se pedia a Salazar que, por ocasião da sua última lição em Coimbra, se verificasse "também o seu afastamento da vida política". De novo preso em 1963, é outra vez julgado no Tribunal Plenário de Lisboa, cumprindo mais 24 meses de prisão.
Nas eleições de 1969 foi candidato por Beja nas listas da CDE e, nas eleições de 1973, candidato da Oposição por Évora.


Em 1973, fez parte da Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, e apresentou uma tese intitulada "Significado do III Congresso da Oposição Democrática".


Depois do 25 de Abril, foi presidente do Fundo de Fomento da Habitação, chefe de gabinete dos secretários de Estado da Habitação e Turismo, no III e no V governos provisórios, respectivamente Nuno Portas e Fernando Vicente; e, no IV Governo Provisório, desempenhou as mesmas funções junto do secretário de Estado da Administração Local, Celso Pinto de Almeida. Dedicou-se depois ao movimento sindical, primeiro no Sindicato dos Trabalhadores de Hotelaria, depois na União dos Sindicatos de Lisboa e no Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores.