Na morte de Louzã Henriques

louza henriquesO médico psiquiatra, escritor e político antifascista Manuel Louzã Henriques morreu hoje em Coimbra aos 85 anos. O velório decorre a partir das 16:00 na Capela Grande de S. José, em Coimbra, e será cremado amanhã, dia 30 de Julho, às 11:00 no cemitério de Taveiro, naquela cidade.


Manuel Louzã Henriques, que nasceu a 6 de Setembro de 1933 no Coentral, concelho de Castanheira de Pêra, Serra da Lousã, era uma grande figura da resistência antifascista. Iniciou a sua actividade política na luta académica, nomeadamente em torno do "Decreto 40.900".

Foi vice-presidente do TEUC (Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), integrou a TAUC (Tuna Académica da Universidade de Coimbra) e ainda formações musicais estudantis como executante de guitarra.


Membro do MUD Juvenil e do Partido Comunista Português desde 1958, integrou nesse ano a comissão de apoio à candidatura de Arlindo Vicente e depois de Humberto Delgado. Foi preso pela PIDE de 1962 a 1965, esteve no Aljube, em Caxias e Peniche. Foi candidato da Oposição Democrática em 1962. Após o 25 de Abril foi candidato à Assembleia Constituinte, em 1975, e por diversas vezes candidato da APU e CDU em vários actos eleitorais.


Dedicou à cultura popular grande parte da sua vida. Tocava concertina e apreciava a música dos concertineiros da Serra da Lousã. Participou em encontros de cultura popular oral, deu apoio ao Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC) e à Brigada Victor Jara, foi palestrante nos primeiros "Seminários de fado de Coimbra" (1978).


Na década de 1960, influenciado pelos trabalhos etnográficos de Ernesto de Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira, Jorge Dias e Michel Giacometti , iniciou a actividade de coleccionador de instrumentos musicais populares e de alfaias agrícolas, cujos artefactos rurais foram cedidos à Câmara Municipal da Lousã e incorporados no Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques.


Além da colecção de instrumentos musicais, Louzã Henriques possuía um importante espólio de máquinas de escrever, instrumentos médicos, máquinas de reprodução sonora (expostas em 2014 no Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra), fazendo acompanhar a exposição regular dos objectos com palestras.


Os instrumentos musicais, recolhidos em Portugal e no estrangeiro, estiveram expostos, entre 2004 e 2013, no edifício do antigo posto de Turismo, no Largo da Portagem, e em 2017 no Pavilhão Central da "Festa do Avante!".


A URAP apresenta à família do resistente antifascista Manuel Louzã Henriques, grande humanista de invulgar dimensão ética e cultural, os seus mais sentidos pêsames.