Na morte de António Gervásio

antonio gervasio 640x430António Gervásio, resistente antifascista e obreiro da Reforma Agrária no Alentejo, ex-deputado e antigo dirigente do Partido Comunista, um dos presos políticos mais torturados durante a ditadura, morreu dia 10 de Janeiro aos 92 anos. O velório realizou-se no Centro de Documentação e Arquivo da Reforma Agrária (CDARA), em Montemor-o-Novo.

 

Gervásio era natural de Montemor-o-Novo, onde nasceu a 25 de Fevereiro de 1927, numa família pobre de operários agrícolas. Em 1945, com 18 anos, aderiu ao PCP, tendo passado à clandestinidade no Verão de 1952. Foi membro do Comité Central do PCP de 1963 a 2004 e da Direcção da Organização Regional de Évora do PCP até 2006.

 

Operário agrícola, foi preso, pela primeira vez, em 1947, altura em que foi condenado a dois meses de prisão. De novo preso em 1960, evadiu-se de Caxias em 1961 e passou à clandestinidade, voltando a ser preso dez anos depois. Nas duas últimas prisões foi brutalmente torturado, espancado com paus e impedido de dormir durante 18 dias e 18 noites. Foi libertado da cadeia de Peniche na madrugada de 27 de Abril de 1974.


Deputado à Assembleia Constituinte pelo distrito de Portalegre e à Assembleia da República em 1979 pelo distrito de Évora, Gervásio foi um dos grandes obreiros da Reforma Agrária e da luta pela sua defesa.

 

Em entrevista ao Jornal "Avante!", António Gervásio, que defendia que para "um revolucionário, um comunista, a luta nunca acabou, mesmo nas mãos do inimigo, no interior das cadeias, a luta continua", considerou que "as fugas das prisões fascistas constituem uma faceta muito rica da história do Partido. Na década de cinquenta e até ao início da década seguinte, realizaram-se diversas fugas que devolveram à liberdade cerca de 40 comunistas".

 

Na fuga de Caxias, levada a cabo por oito comunistas, António Gervásio destacou o papel de falso "rachado" de António Tereso, que foi peça fundamental dessa fuga.

 

Em Fevereiro de 2007, no 80º aniversário, o PCP organizou um almoço de homenagem em Montemor-o-Novo, onde, no meio de muitos cravos vermelhos e com a presença da sua companheira Maria Lourença, destacou que "a vida de António Gervásio confunde-se com a história do PCP nas últimas décadas".

 

A URAP saúda a vida do resistente antifascista e obreiro do Portugal democrático António Gervásio e apresenta à família e ao PCP sentidas condolências.