Na morte de Manuel Sá-Marques

Manuel Sa MarquesManuel Sá-Marques, um dos grandes vultos da Medicina, Cidadão e resistente antifascista, fundador da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, pioneiro na defesa das Carreiras Médicas e defensor do Serviço Nacional de Saúde, morreu dia 4 de Fevereiro, aos 96 anos.


O velório realiza-se hoje, 5 de Fevereiro, a partir das 17h, no Santa Joana Princesa, junto à Av. Estados Unidos da América, em Lisboa, e a cremação ocorre na quinta-feira, 6 de Fevereiro, às 16h30, no crematório do Cemitério do Alto de São João.


Manuel Sá-Marques foi o primeiro presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), entre 1980 e 1982, e sócio nº 1, e empenhou-se nas batalhas da Ordem dos Médicos e em todas as outras grandes lutas profissionais que marcaram a segunda metade do século XX até à actualidade.


Pertenceu ao Movimento de Unidade Antifascista (MUNAF), ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), participou nas campanhas presidenciais de Norton de Matos, Rui Luís Gomes e Humberto Delgado e em muitos outros combates contra a ditadura, pela libertação dos presos políticos, pela cultura. Luta que continuou, sempre com um espírito alegre e juvenil, no pós 25 de Abril.

 


Médico durante mais de 70 anos, cursou medicina na antiga Faculdade de Medicina de Lisboa (1942-1947), trabalhou depois nos Hospitais Civis de Lisboa, e especializou-se no tratamento da Diabetes.


Foi presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, a mais antiga de todas estas instituições existentes no mundo. Manuel Sá Marques aconselhava um regime e uma educação alimentar inteligentes em vez de dietas intransigentes que em muito contribuiu para o controlo físico e psicológico da doença.


Apesar da idade, manteve na internet um blogue, sob a égide de seu avô, Bernardino Machado. Consultando documentos manuscritos e informação publicada em diversas fontes relativas ao fim da Monarquia, à vigência da República e à resistência ao salazarismo, Manuel Sá Marques reconstituiu um perfil universitário e político que principiou a ser analisado nas Farpas de Ramalho Ortigão e, a seguir, estudado e divulgado por historiadores e críticos como Lopes de Oliveira, Jaime Cortesão, António Ramos de Almeida e, presentemente, Norberto Cunha, catedrático da Universidade do Minho e coordenador científico do Museu Bernardino Machado, em Famalicão.


A URAP apresenta sentidas condolências à família de amigo de Manuel Sá-Marques.