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Intervenção de Aurélio Santos na Inauguração do Monumento na Freguesia do Feijó, concelho de Almada, em 30 Maio de 2009
 
Estamos aqui para comemorar a inauguração de um monumento que presta homenagem aos Marinheiros Insubmissos da Revolta de 09 de Setembro de 1936. E vale a pena recordarmos aqui, o imenso significado dessa revolta dos marinheiros. Eram anos terríveis os que se viviam então, em Portugal e na Europa. O mundo assistia de braços cruzados ao avanço da tenebrosa maré negra do fascismo. Depois de tomarem o poder na Itália e na Alemanha, Mussolini e Hitler, proclamavam como objectivo, o domínio mundial, numa escalada que levou ao desencadeamento da guerra em 1939.

Em Portugal, o regime salazarista, um dos primeiros regimes fascistas implantados na Europa, consolidava a ditadura fascista com as estruturas de repressão e sufocação do seu regime de exploração.

Os chamados «ventos da história», pareciam correr a favor do fascismo. Em Espanha começara a sublevação franquista contra a República Espanhola,  e Salazar e Franco proclamavam "o século XX será fascista". Mas os marinheiros levantaram-se para dizer «NÃO».

A revolta dos marinheiros insubmissos dos navios "Afonso de Albuquerque e Dão", fizeram parte da primeira leva de antifascistas portugueses, deportados para o Campo de Concentração do Tarrafal, justamente designado como « Campo da Morte Lenta». Muitos deles aí morreram. No Tarrafal não havia câmaras de gás, como nos campos que Hitler espalhou pelos países ocupados da Europa, mas havia um executor silencioso, o mosquito "anofeles", que sem tratamento, sem quinino, associado aos maus tratos e ao trabalho forçado, levaram à morte de 42 dos prisioneiros para ali deportados. O próprio médico do Campo dizia que só estava ali para passar atestados de óbito.

No 1º de Maio deste ano estivemos mais de 40 portugueses, ao lado de prisioneiros cabo-verdianos, guineenses e angolanos, nas cerimónias que no Tarrafal assinalaram a libertação em 1974 dos últimos prisioneiros do Tarrafal, que em 1962 foi reaberto para aprisionar patriotas dos Movimentos de Libertação das colónias portuguesas. Lá estão no cemitério, lápides que recordam, as suas sepulturas, depois da transladação das ossadas para o Cemitério do Alto de S. João em Lisboa, na grande manifestação nacional, que após o 25 de Abril resgatou os seus corpos.

O Monumento que agora aqui fica nesta região do Feijó, que tanto contribuiu também, para a conquista da Democracia em Portugal, marca um momento importante da grande Homenagem Nacional que é devida a estes percursores do 25 de Abril.

Eles não aceitaram como imbatíveis e inevitáveis os «ventos da História». E escreveram uma página honrosa na História da Luta do Povo Português pela Liberdade.

FASCISMO NUNCA MAIS!!!
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1o_painel_expo_75_anos_penicheA União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) e a Câmara Municipal de Peniche levaram a cabo um trabalho de preparação e execução de um conjunto de 27 painéis retratando a Fortaleza como foco da luta pela Liberdade e a sua história, os presos políticos, as fugas do cárcere e o projecto de instalação de um Museu da Resistência e da luta pela Liberdade.

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Assinalou-se este mês de Setembro o aniversário da Revolta dos Marinheiros de 1936 contra a ditadura fascista.

marinheiros_da_ora_transportados_presos_para_o_tarrafalContextualização Histórica da Revolta dos Marinheiros da Organização Revolucionária da Armada (ORA) de 8 de Setembro de 1936

A eclosão da revolta dos marinheiros integrantes da Organização Revolucionária da Armada, no dia 8 de Setembro de 1936, surge num contexto de afirmação concreta e definitiva da ditadura fascista encabeçada por Salazar em Portugal que se vinha concretizando no primeiro semestre desse ano, correspondendo aos ecos internacionais do momento. Se, por um lado, eram cada vez mais sombrias as perspectivas mundiais de evolução do fascismo designadamente nas suas faces mais visíveis da Alemanha e da Itália que antecipavam já a II Guerra Mundial, por outro lado as vitórias eleitorais das Frentes Populares em França e em Espanha em 1936 vinham concretizar o caminho no objectivo central do movimento comunista e das forças democráticas no mundo de luta contra o fascismo e suas ameaças, conforme se concluíra no VII Congresso da Internacional Comunista em 1935.

Assim, sendo a ORA uma organização com uma ideologia e constituição associadas ao PCP, foi tomada a decisão de avançar com um movimento de protesto que culminava já um amplo processo reivindicativo contra as arbitrariedades de diversa ordem cometidas no seio da Armada portuguesa. Na verdade, coube justamente aos sectores inferiores da hierarquia da Marinha (grumetes, 1.ºs marinheiros e cabos) essa iniciativa, consubstanciada pelo controlo dos navios Dão, Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias que correspondiam aos de maior adesão nas tripulações à ORA e de mais ampla difusão do seu órgão O Marinheiro Vermelho. Como objectivos finais, os valorosos marinheiros pretendiam dirigir um ultimato a Salazar no sentido de os seus direitos serem satisfeitos e de serem terminadas as perseguições e libertados os presos políticos, projectando-se colocar os navios a salvo fora da barra e usando o poder de fogo das embarcações. No entanto, após algumas horas, a revolta foi debelada pelo regime fascista que antecipadamente teve acesso aos planos dos revoltosos, conseguindo desactivar o potencial bélico das embarcações e ordenando o bombardeamento a partir dos Fortes de Almada e do Alto do Duque que atingiu violentamente e sobretudo o Dão e o Afonso de Albuquerque.

A revolta saldou-se por doze marinheiros mortos, 208 marinheiros presos e demitidos a que se juntam a prisão de 30 marinheiros ainda antes da sua eclosão. Foram condenados 82 revoltosos: 44 foram enviados para Angra do Heroísmo, 4 para Peniche e 34 enviados no conjunto dos primeiros 150 detidos no ignóbil Campo de Concentração do Tarrafal em Cabo Verde, onde muitos arcaram com penas entre os 16 e os 20 anos de prisão política. Como se veio a verificar e os próprios marinheiros concluíram posteriormente, a revolta não podia ter triunfado, mas granjeou a admiração e o exemplo para a luta contra o fascismo em Portugal e no Mundo. Assim, constituindo-se como um exemplo de coragem, abnegação e dedicação com a própria vida à luta contra o fascismo em Portugal, os marinheiros deram o seu contributo para a restituição da liberdade no País, justamente num período em que o fascismo português patenteava força e apoios a nível internacional. Por isso, o seu exemplo de luta deve ser relembrado e enaltecido como um contributo que criou amplas perspectivas de desenvolvimento e fortalecimento do combate pela Liberdade.

David Pereira

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